Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema

Ferreira Gullar

4 comentários:

Mário Júnior disse...

\o/

Raíza Rocha disse...

Saudação (às mãos que trabalham)...


Para todos aqueles que emprestaram suas lágrimas
às terras secas... aos olhos secos.
Para todos aqueles que romperam o exílio e
despertaram palavras aos sem voz.
Para todos aqueles que sonharam e
carregaram seus sonhos nas palmas das mãos calejadas.
Para todos aqueles que regaram com o próprio sangue
a esperança esquecida.
Para todos aqueles que tornaram a paz um punho fechado
erguido contra aqueles que negam a paz.
Para os enforcados, afogados, queimados, metralhados.
Atirados, enterrados, esfomeados, torturados, humilhados.
Para todos aqueles que morreram
Por mim.

( Raíza Rocha)

Caito disse...

Simplesmente genial. É muito legal mostrar o terrível processo oculto por trás do consumo de um item tão comum nas nossas vidas, ainda mais com essa qualidade poética. Ferreira Gullar manda muito! Sempre gostei de um que falava que o preço do feijão não cabe no poema. Um brinde as poesias panfletárias!

Fabiano disse...

\o/ tb gosto, e essa é uma eterna discussão com um grande amigo meu que não gosta do Brecht, rs

volte mais vezes Caito

 
BlogBlogs.Com.Br