Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

40 anos de Woodstock

Comemoramos os 40 anos de Woodstock como um texto do Wilson H. da Silva.

Woodstock em contexto
Foi num 15 de agosto há 40 anos, que teve início um dos mais míticos shows da história da música: o Festival de Woodstock. Aliás, o que ocorreu na área rural de Bethel, nos arredores de Nova York, foi muito mais que um show. Foi a celebração de uma época, a trilha sonora de anos marcados pelo inconformismo, pela rebelião e pela busca, muitas vezes literalmente alucinada, por uma nova forma de ver e viver o mundo.

• O caminho para Woodstock foi sedimentado por eventos e tribos que surgiram na situação aberta depois da Segunda Guerra Mundial. A derrota do nazismo, o deslocamento de milhões de pessoas, a rejeição à ordem que levou o mundo ao conflito (apenas para citar alguns elementos) fizeram com que os anos 1950, em termos sócioculturais, fossem marcados pelo embate de projetos.

De um lado, estavam os conservadores, tentando desesperadamente resgatar a ordem perdida. Do outro, uma infinidade de questionamentos tomavam forma ora em rebeliões e revoluções que sacudiam o mundo, ora no surgimento crescente de novas formas de ver, interpretar e representar o mundo.

No campo cultural, o rock n’roll, a poesia beatnik de gente como Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs e o movimento hippie (ou Flower Power) foram algumas das formas tomadas por esta rebelião. Já no início dos anos 1960, todas estas tribos e tendências se cruzavam pelas rotas da contracultura.

Um exemplo pitoresco aconteceu no início da década. O alucinado praticamente marginal e beatnik Neal Cassidy, no qual foi inspirado o personagem Dean Moriarty, protagonista de On the road (Jack Kerouac), servia como motorista de um ônibus que excursionava pelo país, conduzindo bandas como o Jefferson Airplane, e ficou famoso por transportar quantidades industriais de ácido lisérgico (LSD), que eram gratuitamente distribuídas pelas cidades pelas quais a turnê passava.

No cenário político, além dos movimentos já citados, a Revolução Cubana, a luta pela independência na África e, já no final da década de 1960, a intensificação das mobilizações contra a Guerra do Vietnã (e, particularmente nos Estados Unidos, ao governo de Richard Nixon) serviam de combustível para uma permanente e crescente a insatisfação.

Um sentimento que, no verão de 1969, havia sido potencializado por uma série de eventos bastante recentes, como o assassinato de Martin Luther King, que ainda provocava furiosos protestos por toda parte, o verdadeiro campo de batalha em que havia se transformado a Convenção Nacional dos Democratas e a radicalização crescente dos movimentos sociais em geral.

Inevitavelmente, as duas pontas destes processos se influenciavam mutuamente. Assim, formas de protestos utilizadas pelos movimentos sociais ganhavam novas formas nos palcos da cultura. Foi assim que a prática do sit-in (“sentar e ocupar”), um tipo de manifestação que consistia em invadir locais (de prédios públicos a bases militares) e permanecer sentado até a retirada pela polícia, transformou-se nos human be-in (“ocupações humanas”): a invasão de locais públicos, preferencialmente parques, que eram transformados em palco para exibição gratuita e espontânea de shows e todo tipo de atividade artística.

Um dos locais mais conhecidos para esta prática foi o Central Park de Nova York, como foi mostrado por uma das peças mais famosas da época, o musical Hair, transformado num filme genial por Milos Forman, em 1979. Do outro lado dos EUA, em San Francisco, a “Meca” do movimento contracultural, gigantescos human be-intomavam as ruas como Haigh-Ashbury, o centro nervoso do movimento hippie, e o parque da famosa ponte Golden Gate, promovendo agitados encontros entre figuraças como o poeta beatnik homossexual Allen Ginsberg (autor de poemas como “Uivo” e “Kaddish”) e o militante antiguerra Jerry Rubin, embalados por bandas como o Grateful Dead.

Entre o final dos anos 1950 e os anos 60, a simpatia e o ativismo de várias bandas musicais engrossaram este caldo, através de uma infinidade de festivais, dentro e fora dos EUA, como o Monterey Pop Festival (San Francisco, 1967) e o Festival da Ilha Wight, (Inglaterra, 1969).


WILSON H. SILVA
da redação do Opinião Socialista e membro da
Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Filosofia

O mundo me condena,
e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

Noel Rosa

sábado, 9 de maio de 2009

Acabaram as férias

Bom pessoal, já há algum tempo que as coisas por aqui não são atualizadas, peço desculpas aos que por aqui passaram nesse tempo,mas estava meio sem saco para o blog nas últimas semanas.

Enfim, cá estou para voltar a atualizar isto, com mais poemas e novos textos sempre que possível

quase nada mudou nos tempos em que estive fora:

1. a crise se aprofunda cada vez mais, e os governos dizem que o pior já passou oO

2. O governo Lula continua enganando todo mundo, e a última éa do ENEN como vestibular... mais uma espinha que quer enfiar guela abaixo das universidades brasileiras.

3. O socialismo continua sendo a unica solução aos problemas que enfrentamos na atualidade.

Bom por enquanto é isso,

"boa noite e até a amanhã" (Fátima Bernades e Willian Bonner) :P

segunda-feira, 9 de março de 2009

Diante do mar

Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.

Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".

Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.

Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.

Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.

Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.

Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.

Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.

E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!

Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.


Alfonsina Storni
Tradução de José Agostinho Baptista

domingo, 8 de março de 2009

O Dia da Mulher

Nesse dia fazemos uma homenagem à mulheres, com um texto da Revolucionária Russa, Alexandra Kollontai.

O dia Da Mulher

O quê é o dia da Mulher? É realmente necessário? Será que é umha concessom às mulheres da classe burguesa, às feministas e sufragistas? Será que é nocivo para a unidade do movimento operário? Estas questons ainda se escuitam na Rússia, embora já nom no estrangeiro. A vida mesma deu umha resposta clara e eloqüente a tais perguntas.

O Dia da Mulher é um elo na longa e sólida cadeia da mulher no movimento operário. O exército organizado de mulheres trabalhadoras cresce cada dia. Há vinte anos, as organizaçons operárias nom tinham mais do que grupos dispersos de mulheres nas bases dos partidos operários... Agora os sindicatos ingleses tenhem mais de 292.000 mulheres sindicadas; na Alemanha som à roda de 200.000 sindicadas e 150.000 no partido operário, na Áustria há 47.000 nos sindicatos e 20.000 no partido. Em toda as parte, em Itália, na Hungria, na Dinamarca, na Suécia, na Noruega e na Suíça, as mulheres da classe operária estám a organizar-se a si próprias. O exército de mulheres socialistas tem perto de um milhom de membros. Umha força poderosa! Umha força com a qual os poderes do mundo devem contar quando se pom sobre a mesa o tema do custo da vida, a segurança da maternidade, o trabalho infantil ou a legislaçom para proteger os trabalhadores.

Houve um tempo em que os homens trabalhadores pensavam que deveriam carregar eles sós sobre os seus ombros o peso da luita contra o capital, pensavam que eles sós deviam enfrentar-se ao "velho mundo", sem o apoio das suas companheiras. Porém, como as mulheres da classe trabalhadora vam entrar nas fileiras de aqueles que vendem o seu trabalho em troca de um salário, forçadas a entrar no mercado laboral por necessidade, porque o seu marido ou pai estava no desemprego, os trabalhadores vam começar a reparar em que deixar atrás as mulheres entre as fileiras dos "nom-conscientes" era danar a sua causa e evitar que avançasse. Que nível de consciência posui umha mulher que senta no fogom, que nom tem direitos na sociedade, no Estado ou na família? Ela nom tem ideias próprias! Todo se fai segum ordena o seu pai ou marido...

O atraso e a falta de direitos sofridos polas mulheres, a sua dependência e indiferença nom som beneficiosos para a classe trabalhadora, e de facto som um mal directo para a luita operária. Mas, como entrará a mulher nesta luita, como acordará?

A social-democracia estrangeira nom vai encontrar soluçom correcta imediatamente. As organizaçons operárias estavam abertas às mulheres, mas só umhas poucas entravam. Por quê? Porque a classe trabalhadora, ao começo, nom vai dar por si que a mulher trabalhadora é o membro mais degradado, tanto legal quanto socialmente, da classe operária, que ela foi espancada, intimidada, encurralada ao longo dos séculos, e que para estimular a sua mente e o seu coraçom necessita umha aproximaçom especial, palavras que ela, como mulher, entenda. Os trabalhadores nom se vam dar conta imediatamente de que neste mundo de falta de direitos e de exploraçom, a mulher está oprimida nom só como trabalhadora, mas também como mae, mulher. Porém, quando membros do partido socialista operário entendêrom isto, figérom sua a luita pola defesa das trabalhadoras como assalariadas, como maes, como mulheres.

Os socialistas em cada país começam a demandar umha protecçom especial para o trabalho das mulheres, seguranças para as maes e os seus filhos, direitos políticos para as mulheres e a defesa dos seus interesses.

Quanto mais claramente o partido operário percebia esta dicotomia mulher/trabalhadora, mais ansiosamente as mulheres se uniam ao partido, mais apreciavam o rol do partido como o seu verdadeiro defensor e mais decididamente sentiam que a classe trabalhadora também luitava polas suas necessidades. As mulheres trabalhadoras, organizadas e conscientes, figérom muitíssimo para elucidar este objectivo. Agora, o peso do trabalho para atrair as trabalhadoras ao movimento socialista reside nas mesmas trabalhadoras. Os partidos em cada país tenhem os seus comités de mulheres, com os seus secretariados e burós para a mulher. Estes comités de mulheres trabalham na ainda grande populaçom de mulheres nom conscientes, levantando a consciência das trabalhadoreas em seu redor. Também examinam as demandas e questons que afectam mais directamente à mulher: protecçom e provisom para as maes grávidas ou com filhos, legislaçom do trabalho feminimo, campanha contra a prostituiçom e o trabalho infantil, a demanda de direitos políticos para as mulheres, a campanha contra a suba do custo da vida...

Assim, como membros do partido, as mulheres trabalhadoras luitam pola causa comum da classe, enquanto ao mesmo tempo delineam e ponhem em questom aquelas necessidades e as suas demandas que lhes dim respeito mais directamente como mulheres, como donas de casa e como maes. O partido apoia estas demandas e luita por elas. Estas necessidades das mulheres trabalhadoras som parte da causa dos trabalhadores como classe.

No dia da mulher as mulheres organizadas manifestam-se contra a sua falta de direitos. Mas alguns dim, por quê esta separaçom das luitas das mulheres? Por quê há um dia da mulher, panfletos especiais para trabalhadoras, conferências e comício? Nom é, enfim, umha concessom às feministas e sufragistas burguesas? Só aqueles que nom compreendem a diferença radical entre o movimento das mulheres socialistas e as sufragistas burguesas podem pensar desta maneira.

Qual o objectivo das feministas burguesas? Conseguir os mesmos avanços, o mesmo poder, os mesmo direitos na sociedade capitalista que possuem aogra os seus maridos, pais e irmaos. Qual o objectivo das operárias socialistas? Abolir todo o tipo de privilégios que derivem do nascimento ou da riqueza. À mulher operária é-lhe indiferente se o seu patrom é um homem ou umha mulher.

As feministas burguesas demandam a igualdade de direitos sempre e em qualquer lugar. As mulheres trabalhadoras respostam: demandamos direitos para todos os cidadaos, homens e mulheres, mas nós nom só somos mulheres e trabalhadoras, também somos maes. E como maes, como mulheres que teremos filhos no futuro, demandamos umha atençom especial do governo, protecçom especial do Estado e da sociedade.

As feministas burguesas estám luitando para conseguir direitos políticos: também aqui os nossos caminhos se separam. Para as mulheres burguesas, os direitos políticos som simplesmente um meio para conseguir os seus objectivos mais comodamente e com mais segurança neste mundo baseado na exploraçom dos trabalhadores. Para as mulheres operárias, os direitos políticos som um passo no caminho empedrado e difícil que leva ao desejado reino do trabalho.

Os caminhos seguidos polas mulheres trabalhadoras e as sufragistas burguesas separárom-se há tempo. Há umha grande diferença entre os seus objectivos. Há também umha grande contradiçom entre os interesses de umha mulher operária e as donas proprietárias, entre a criada e a senhora... portanto, os trabalhadores nom devem temer que haja um dia separado e assinalado como o Dia da Mulher, nem que haja conferências especiais e panfletos ou imprensa especial para as mulheres.

Cada distinçom especial para as mulheres no trabalho de umha organizaçom operária é umha forma de elevar a consciência das trabalhadoras e aproximá-las das fileiras de aqueles que estám a luitar por um futuro melhor. O Dia da Mulher e o lento, meticuloso trabalho feito para elevar a auto-consciência da mulher trabalhadora estám servindo à causa, nom da divisom, mas da uniom da classe trabalhadora.

Deixa um sentimento alegra de servir à causa comum da classe trabalhadora e de luita simultaneamente pola emancipaçom feminina inspire os trabalhadores a unirem-se à celebraçom do Dia da Mulher.

Alexandra kollontai, 1913

Fonte: Marxists.org

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Dor


Quisera esta tarde divina de outubro
passear pela beira longínqua do mar;
Que a areia de ouro, e as águas verdes,
e os céus puros me vissem passar.

Ser alta, soberba, perfeita, quisera,
como uma romana, para concordar
com as grandes ondas, e as rocas mortas
e as largas praias que apertem o mar.

Com o passo lento, e os olhos frios
e a boca muda, deixar-me levar;
ver como se rompem as ondas azuis,
contra os granitos e não pestanejar;
ver como as aves de rapina se comem
os peixes pequenos e não despertar;
pensar que puderam as frágeis barcas
Afundar-se nas águas e não suspirar;
Ver que se adianta a garganta ao ar,
O homem mais belo não desejar amar…

Perder o olhar, distraidamente,
perde-lo e que nunca o volte a encontrar:
E figura erguida entre céu e praia
sentir-me o esquecimento perene do mar.

Alfonsina Storni
 
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