Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Fórum Social Mundial promove ‘limpeza’ em periferia

do portal do PSTU

• O Fórum Social Mundial (FSM) continua sendo um espaço que aglutina centenas de organizações sociais e milhares de ativistas de diversos países e ideologias. O FSM sempre foi dirigido e organizado pelo PT e pela juventude do PCdoB (UJS). Desta vez, é a própria governadora Ana Júlia (PT), quem investirá pesado no evento.

As obras em volta do acampamento da juventude já começaram. O acampamento será em duas universidades: Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Elas são cercadas pelo Rio Guamá e por duas grandes periferias, Terra-Firme e Guamá. Por esse motivo, uma fileira de 110 casas, inicialmente, foram compradas e derrubadas para alargar a rua em torno do acampamento. Em seguida, porém, derrubaram muito mais delas.

O governo está comprando as casas por R$ 3 mil, R$ 1.800 e até por R$ 500. Além de valores irrisórios, os moradores não tem direito a um alojamento provisório nem prorrogação dos prazos. Isso os coloca numa situação a caminho da indigência. Após a assinatura do morador, ele espera por um dia improvável em que a migalha cairá em sua conta. Após isso, lhe restam apenas cinco dias para sair. Caso não saia, as autoridades competentes o despejam a força.

Os que se recusam a assinar, recebem intimações judiciais e visitas de advogados com policiais em tom ameaçador. Os moradores disseram que as mulheres são as mais pressionadas. Segundo eles, o governo alega que se trata de uma área de invasão e diz que as pessoas não tem direito a nada. É isso que o governo chamado de popular e democrático do PT pensa sobre as ocupações urbanas e populares?

As primeiras casas derrubadas foram compradas por preços bem melhores. Aparentemente, o objetivo do governo era isolar as casas restantes e forçar os moradores a aceitarem quantias irrisórias. Outra tática importante do governo foi a de começar as demolições durante as férias da UFPA para evitar prováveis atritos com o movimento estudantil. No ano passado, os ativistas ocuparam a reitoria daquela universidade e, certamente, apoiariam os habitantes.

Muitos moradores já perderam seus empregos devido aos abalos psicológicos. O clima de depressão é geral. Ficamos sabendo de uma senhora de 83 anos, conhecida como a “mãezona” da vizinhança, que foi despejada. Ela vivia da solidariedade da comunidade. O governo garantiu que seria pago um aluguel a ela até que encontrasse outra casa morar. A última notícia que tivemos foi de que está morando de favor num lugar distante. O dinheiro do aluguel nunca chegou.

A Organização do FSM alega que não tem nada que ver com o problema e que são obras do governo não-ligadas ao Fórum. Já é bastante contraditório que digam isso de um governo que eles mesmos apóiam. Fomos conferir com o órgão responsável pela obra, a COHAB, e ouvimos que “as obras não tem a ver com o Fórum Social Mundial mas, temos ordens para aprontar essa primeira etapa de remanejamento desse pessoal até janeiro, para que seja estreado durante o evento”.

Agora fica mais claro porque tamanha truculência e pressa nesse projeto. Tudo em nome de “um outro mundo possível”.

Dinorah da Silva e Érica Correa, de Belém (PA)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu sorriso.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sabe ao céu a procurar-me
a abre-me todas
as portas da vida

À beira mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma...

Ria da noite,
do dia, da lua,
ria das ruas
tortas da ilha,
ria deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.

Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.

Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.

Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.

Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema

Ferreira Gullar

sábado, 24 de janeiro de 2009

Blogue novo

Pessoas, desde o último dia 23, passa a existir um novo Blog, chamado Mangue Wireless, cujo manifesto editorial foi postado por Eli, dono do Blog Antes Quixote, e também tem a companhia de Mário Jr. do Blog do Mário Júnior, da Naísia, quem não tem nenhum outro blog e do Bicho-grilo que mantém o Blog Mordida de Preá.

Esperamos que a lista de colaboradores cresça.

E vocês que já visitam esse espaço passa a ter outro espaço para diálogos, polêmicas, etc, etc³

ta dado recado!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sim, Camarada

Sim, Camarada, é hora de jardim
E é hora de batalha, cada dia
É sucessão de flor e sangue,
Nosso tempo nos entregou amarrados
A regar jasmins
Ou a dessangrar-nos numa rua escura,
A virtude ou a dor se repartiram
Em zonas frias, em mordentes brasas,
E não havia outra coisa que eleger,
Os caminhos do céu,
Antes tão transitados pelos santos,
Estão hoje povoados por especialistas.

Já desapareceram os cavalos.

Os heróis vestidos de batráquios,
Os espelhos vivem vazios
Porque a festa é sempre em outra parte,
Onde já não estamos convidados
E há brigas nas portas.


Por isso este é o penúltimo chamado,
O décimo sincero toque
Do meu sino,
Ao jardim, camarada, à açucena,
À macieira, ao cravo intransigente,
À fragrância da flor de laranjeira,
E logo aos deveres da guerra.

Delgada é nossa pátria
E em seu despido fio de faca
Arde nossa bandeira delicada.


Pablo Neruda

Como se fabrica um mainstream...

Passei uns dias na minha terra natal e é impressionante perceber que nada mudou... e me parece que como diz uma música do Mopho..."Nada vai mudar".

Bom primeiro deixa eu falar do que se trata essa postagem, trata da política cultural implementada na cidade de aracaju desde a eleição do PT, para a prefeitura em 2000, e com ela que eu quero iniciar uma polêmica, que não vai parar nesse post, apenas vamos iniciar.

Acontece que na última década um certo "mainstream" foi forjado, fabricado como queiram na cidade de Aracaju, bandas como Reação, Naurêa e Maria Escobona, tocam em quase todos os eventos da prefeitura desde 2000.

Não quero me deter aqui sobre a qualidade sonora dessas bandas, mas posso dizer que dessas três só respeito mesmo a Reação, apesar de ser sabido que não sou lá muito fã de reggae, o fato é que por motivos vários essas bandas estão sempre presentes, criando praticamente um monopólio da música sergipana, e do dinheiro público nos últimos anos.

A olhos vistos houve, pelo menos na aparência uma mudança qualitativa na política cultural seja na prefeitura, seja no governo do Estado de Sergipe, depois que o PT e o PC do B, juntos com lideranças da direita Sergipana chegaram ao poder no estado. Os slogan Aracaju de Todos, parecia estar vingando, mas sempre na aparência... a essência da política continuava a mesma!

Assim sendo, logo que se "muda" o governante mudam também as figuras que frequentam as rodas de poder do Estado, e obviamente isso se reflete na política cultural. Bandas como Karne Krua, Snooze, Plástico Lunar(pra citar algumas das mais antigas), as mesmas que a anos vivem com seus amplificadores, e instrumentos músicais pra lá e pra cá, carregando várias vezes nas costas, dando suor de verdade para construir algo.

A "cena" independente Sergipana, por muitas vezes avessa à polêmicas, colocou no gueto banda que são tão boas(e na minha opinião melhores) do que qualquer uma que faz parte do maistream forjado à força e não pela qualidade dos seus músicos ou músicas(aqui de novo a execessão é a Reação e talvez pelos músicos e não pelas músicas a Maria Escobona).

O meio artístico sempre foi cheio de polêmicas, e se resisitiu a té hoje, foi em boa parte Às diversas polêmicas que rolaram entre músicos, poetas, escritores, artistas plásticos, etc... Mas em Aracaju quem manda é a máquina governamental... o ESTADO! Por tanto ou se enquadra ou tá fora!

BELOS GOVERNOS DEMOCRÁTICOS E POPULARES!

Na minnha humilde opinião, o que ta aí mudou os artistas, mudaram as opções pelos estilos músicais, mas na vida real e concreta não mudou a política... Onde por exemplo que foi criado um fórum para os artistas decidirem a política para as artes, alguns mandam, outros obedecem... alguns poucos batem de frente!

Eu me coloco aqui com os que batem de frente!

Coisas absurdas acontecem, por exemplo aniversário da Aperipê, emissora de rádio estatal, por tanto PÚBLICA, show com(de novo na minha opinião) a maior banda de rock da história do Brasil e pra mim, está entre as 10 melhores do mundo de todos os tempos: Os mutantes, maravilha, gostaria muito de estar nesse show, assim como gostaria de ver a Plástico Lunar abrindo o show dos caras, mas não, toca a Naurêa... recebendo um bom cachê muito provavelmente, e olha tenho certeza pelas influências musicais da Plástico Lunar, pra abrir pros Mutantes, tenho certeza, eles tocariam até de graça!!!

Mas o problemas é que algumas pessoas que achavam que a máquina Pública eram delas, tiraram férias e entraram os novos donos... ou aqueles que se acham donos com o nosso dinheiro, pago atravéz de todos os impostos que pagamos diariamente, e assim colocam seus interesses pessoais a cima de qualquer coisa!

Em geral, bandas mais conhecidas tocam por ter mais público, e assim os governos gastam mais dinheiro, mas divertem mais o "povo"...

A grande questão a se pensar é onde que por exemplo a Naurêa tem mais público e do que a Karne Krua ou a Plástico Lunar?

Sobre o mainstream, vou pegar uma definição internética já que estou na internet nesse momento, definição no wikipédia:

"Mainstream (em português corrente principal) é o pensamento corrente da maioria da população. Este termo é muito utilizado relacionado às artes em geral (música, literatura, etc).

Não vejo
e nenhuma banda dessas algo que seja "pensamento corrente da maioria da população", e por tanto não consigo compreender o por que da insistência com alguns poucos e não uma abertura maior para outros artistas.

Se a prefeitura e governo do Estado(dirigidos pelo PT e pelo PC do B) é realmente democrática, que abra espaços pra todo mundo, não só tocar, mas pra todo mundo discutir a sua política cultural, educacional, de saúde, que se criem conselhos, onde as pessoas discutam de fato as coisas, façam suas críticas, suas polêmicas, etc...

Quem tem medo de polêmica é por que sabe que ta tudo errado!

Aqui abro espaço no meu blog, para todos aqueles que de alguma forma estão sendo isolados e não compartilham com o Monopólio político-cultural existente no estado de Sergipe!

Aqui cabe uma explicação do por que eu disse que a Reação é a excessão(que sempre confirma a regra).

Bom pela segunda vez deixo claro que não gosto de Reggae, mas é impossível escutar essa banda e ver que os caras são bons de verdade, músicas boas, críticas necessárias, e talz, apenas acredito que devem ter muito cuidado para não se enquadrarem na moldura do Estado. Esses podem e devem e ir muito mais lionge do que os outros, por uma simples causa: São bons, humildes, e não dependem da prefeitura ou do Estado para fazer música boa!

Fabiano Santos
 
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