Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

domingo, 18 de janeiro de 2009

Inútil sou

Inútil sou
Por seguir das coisas o compasso,
às vezes, quis neste século ativo,
pensar, lutar, viver com o que vivo,
ser no mundo algum parafuso a mais.

Mas, atada ao sonho sedutor,
do meu instinto voltei ao escuro poço,
pois, como algum inseto preguiçoso
e voraz, eu nasci para o amor.

Inútil sou, pesada, torpe, lenta,
meu corpo, ao sol estendido, se alimenta
e só vivo bem no verão,

quando a selva cheira e a enroscada
serpente dorme em terra calcinada;
a fruta se abaixa até minha mão.

Alfonsina Storni

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Entre guerras e falsidades... Convocação aos blogueiros!

Ontem eu dormia, ou pelo menos tentava dormir, quando de repente o jornal da Globo anuncia
mais uma de sua "maravilhosas" manchetes, entre os sorrisinhos maledicentes dos âncoras do jornal... Como eu falei no início eu ja tava sonolento, não me lembro da manchete, mas ela me fez despertar.
Se eu não lembro da manchete, pelo menos do conteúdo eu lembro, e versava exatamente sobre as táticas israelenses, para reverter a opinião pública mundial em prol de Isarel no atual atentado israelense contra o povo palestino...
E uma das táticas é exatemente manipular a opiniçao pública atravéz da Internet. Contratando uma série de estudantes, e outra série de pessoas para encher a internet de materiais pró-Israel, os caras dtiveram a cara de pau de ligar uma web-cam que só funciona on line na hora que interessa ao estado israelense.
É importante lembrar que Israel, continua impedindo os Jornalistas de entrar em Gaza, é por isso que entre guerras e falsidades, esse pequeno e humilde blog, faz uma convocação aos blogueiros que defendem a causa Palestina, para que enchamos a Internet de materiais contra pró-Palestina!!!
Palestina livre já!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Tão cedo

Na forma febril das manhãs
pereço em breves minutos.
Aguardo como quem aguarda amorte,
que o dia me abandone nos lençóis.

Aguardo a noite
e a guardo nos olhos,
fechados e úmidos,
para que o dia

não perceba que nasceu.

Mauro Iasi

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ainda sobre a imprensa e a Palestina...

Achei esse texto na internet a algum tempo, como combina muito com meu post anterior, ta aí...

Doze regras de redação da grande mídia quando o assunto é o Oriente Médio
Texto anônimo, circula pela internet

1) No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Esta defesa chama-se represália.
2) Os árabes, palestinos ou libaneses não tem o direito de matar civis. Isso se chama “terrorismo”.
3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama “legitima defesa”.
4) Quando Israel mata civis em massa, as potencias ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama “Reação da Comunidade Internacional”.
5) Os palestinos e os libaneses não tem o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama “Sequestro de pessoas indefesas.”
6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isto se chama “Prisão de terroristas”.
7) Quando se menciona a palavra “Hezbollah”, é obrigatória a mesma frase conter a expressão “apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã”.
8) Quando se menciona “Israel”, é proibida qualquer menção à expressão “apoiada e financiada pelos EUA”. Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.
9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões “Territórios ocupados”, “Resoluções da ONU”, “Violações dos Direitos Humanos” ou “Convenção de Genebra”.
10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre “covardes”, que se escondem entre a população civil, que “não os quer”. Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de “Covardia”. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama Ação Cirúrgica de Alta Precisão”.
11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama “Neutralidade jornalística”.
12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são “Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade”.

E o discurso?

Bom, a minha intenção era voltar a escrever no blog apenas quando as minhas férias acabassem, mas a enxurrada de baboseiras que eu tenho ouvido nesses momentos são tantas que não agüentei. Culpo-me muito por não ter ao meu lado um papel e uma caneta para anotar as bordoadas nos ouvidos que vêm de todas as partes, é Mirian Leitão, é Ehud Olmert, é bilionário alemão se matando e por aí vai... Lembro-me do saudoso Stanislaw Ponte Preta com o seu Festival de Besteiras que Assola o País(FEBEAPÁ), o problema é que dessa vez assola o mundo.

Piada? Não, o pior é que é sério!

O Festival de Besteira Internacional(FBI) ou Besteirol’s Cup, é impressionante, basta ter um pouco de paciência e passar por uma banca de revistas e olhar a capa da Veja, ver o Bom Dia Brasil, ou qualquer coisa que se pareça da área jornalística para ver a que ponto chegamos.

O Premiê Palestino diz que na verdade se não morrem crianças Judias é por que do lado deles da fronteira de Gaza, eles cuidam bem dos seus e que o os Palestinos é que usam civis como escudos humanos. Esse misto de Mussolini com Margareth Tatcher, apenas se esquece que do lado de lá da fronteira as pessoas se amontoam numa faixa de 340Km² de terra, qualquer coisa vira escudo numa situação dessas, ainda mais quando o exército em questão é muito mais poderoso e usa força máxima nos ataques, sobra pra todo mundo inclusive pros prédios da ONU.

A mídia aqui como sempre está do lado de quem os EUA apóiam, mesmo quando é impossível apoiar Israel, eles dão um jeitinho de amenizar as coisas pro lado mais forte, a moda agora é dar conselhos pro facistóide do Ehud Olmert, se já não bastasse a correlação de forças completamente desproporcional entre as tropas do Hamas e de Israel, da Veja a Globo, todos insistem em colocar os crimes de guerra de um em pé de igualdade com o outro... como diria minha avó – “Minha faça uma garapa!!!”

Deixemos bem claro, se tem culpados nessa história, é Israel, os EUA, a ONU e toda a comunidade internacional que apoiou a criação do Estado de Israel e a expulsão dos palestinos dessa área, dando continuidade a uma briga que já beira os 4000 anos(mais ou menos quando os Hebreus fugiram da escravidão em terras egípcias e chegaram na terra que emana leite e mel prometida por deus.

O fato é que Israel, é tão retrogrado quanto os Estados Árabes tido como fundamentalistas por adotarem o Corão como lei e não o pentateuco(livro sagrado dos judeus)... Somente pondo fim ao Estado de Israel, e criando um Estado laico, onde possam viver judeus e palestinos livremente é possível imaginar a construção da paz naquele pequeno ponto do mundo.

Que parem os conflitos, mas que todos saibam quem começou tem que parar... Exijamos isso de Israel!

Ps: no meio da guerra eu ia esquecendo de comentar sobre o “pobre” bilionário alemão que se matou por conta da crise... O cara que tem mais de um bilhão na sua conta só pode ser uma estúpido fazendo isso, esqueceu que por enquanto quem ta pagando a conta da crise ainda são os trabalhadores!

Se todos os trabalhadores que já perderam seus empregos resolvessem fazer algo do tipo o capitalismo ia ser o responsável pelo maior suicídio coletivo de todos os tempos!!!
Fabiano Santos - militante do PSTU e estudante de Serviço Social, dirigente do DCE/UFAL e do CASS/UFAL

E começa 2009?

Exatamente na parte do Brasil que eu me encontro são 03:26 da madrugada do 7º dia do ano de 2009, já vamos para o 12º dia de atentado terrorista de Israel contra o povo palestino, a crise econômica continua dando as caras, as montadoras comemoram as vendas de fim de ano e choram os carros amontoados nos pátios, os trabalhadores seguem sendo demitidos, os protestos seguem ocorrendo, seja contra a guerra, contra o desemprego, ou seja a vida continua existindo como no final de 2008.

Escrevo tudo isso pra dizer que mesmo curtindo minhas férias (olha que ao contrário da parte do país que a essas alturas já começam a pensar em acordar pois já são 04:30h da matina, aqui no nordeste o sol ta pegando e as praias continuam belas), eu tento acompanhar os principais fatos,; FATO: parece piada pronta, justo Israel patria do rapazinho que todo o Ocidente comemora seu aniversário no dia 25 de dezembro, começa uma guerra contra um povo vizinho expremido numa faixa de terra menor do que Praga(isso que é praga)...

Pois é os queridinhos dos Yankees no Oriente Médio amargam pela primeira vez na sua curta história(1948) um olhar negativo da opinião pública internacional, o barato está tão feio que o Obama não quis nem se meter, ou quer dizer "sem querer querendo" deu o seu aval pra matança... esse é o presidente da mundança... Começastes mal meu caro presidente mundial, ops... dos EUA!

É isso aí, este ano começa como o que passou, ano novo e muita luta pela frente...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Em defesa de uma estratégia socialista

Aí está o último post do ano, dessa vez não é um texto meu, e sim do Eduardo Almeida, coloco este texto aqui, por estarmos bem próximos do Fórum Social Mundial, e que muito do que vai ser discutido lá o Eduardo Almeida aborda no texto, com polêmicas fraternas, mas fundamentais... e assim com uma polêmica é que nós encerramos os trabalhos do blog no ano de 2008... espero que se divirtam na noite de hoje e nãoo deixem a ressaca atrapalhar o dia de amanhã...

Abraços a todos e todas que por aqui passaram!

Em defesa de uma estratégia socialista
Uma das conseqüências da crise econômica internacional é levar o debate entre a esquerda para um terreno estratégico. A profundidade da crise exige uma resposta programática de fundo por parte de todos os setores envolvidos.

A enorme campanha do imperialismo que afirma que o capitalismo é a única alternativa e que o socialismo morreu atingiu fortemente a consciência dos trabalhadores. No auge do neoliberalismo, essa ideologia tinha uma base material. Agora, a crise está vindo com força e toda essa falsa consciência vem abaixo. O debate capitalismo x socialismo está se restabelecendo.

Mas não se trata de uma discussão fácil. Depois da restauração do capitalismo no leste europeu, não temos mais a barreira do stalinismo. Mas por outro lado deixou de existir uma referência de sociedade não capitalista. Por isso, é muito importante retomar o debate estratégico neste momento, sob um referencial socialista.

Por que Chávez não é uma alternativa ao capitalismo
O governo venezuelano é uma referência para muitos setores da esquerda que acreditam no “socialismo do século 21” de Chávez. A sociedade venezuelana, porém, continua tão capitalista como nos tempos passados.

As multinacionais controlam a principal riqueza do país, o petróleo. Chávez apenas aumentou um pouco mais a participação do Estado nos lucros. As multinacionais são donas de 49% do petróleo e das instalações dos poços petroleiros e campos. No caso do gás, podem ser donas de até 100%.

Não estamos falando de pequenas empresas, mas do “socialismo” com a Exxon Mobil, a Chevron Texaco e a Repsol. Os bancos venezuelanos têm altíssimos lucros, exatamente como no Brasil.

Uma nova classe dominante muito forte está se formando a partir do aparato de Estado venezuelano, com o apoio direto de Chávez – a chamada “boli-burguesia”, ou burguesia bolivariana. Inclui figuras como Diosdado Cabello, que comprou as indústrias dos grupos Sosa Rodríguez e Montana, três bancos comerciais e várias empresas de seguro, formando um dos maiores conglomerados do país.

Já os trabalhadores vivem na miséria. Dos 26 milhões de habitantes, cerca de 10 milhões vivem na pobreza. Segundo o órgão governamental INE, 33,9% dos lares são pobres e 10,9% extremamente pobres. Existem pelo menos 1,2 milhões de desempregados, e metade dos empregados está no setor informal.

Igual a Lula e o Bolsa Família, Chávez combina a manutenção do capitalismo com programas sociais compensatórios (as “missões” chavistas), financiados pela renda do petróleo. Não existe nenhuma diferença de qualidade entre a vida material de um trabalhador venezuelano e a de um brasileiro – apesar do “boom” petroleiro e do discurso sobre o “socialismo” chavista.

O diagnóstico é claro: sem romper com o capitalismo não é possível resolver os problemas básicos dos trabalhadores, como salário e emprego. O governo Chávez não é e nem pode ser uma modelo de alternativa à crise do capitalismo. Trata-se de um governo burguês nacionalista, como foram, em seus momentos, Perón, na Argentina, e Velasco Alvarado, no Peru.

Chávez tenta ocupar espaço, com apoio da direção do PSOL
O chavismo vai buscar se apresentar como alternativa anticapitalista no meio dessa crise econômica. Recentemente foi realizado em Caracas uma Conferência Internacional de Economia Política, em que se votou um programa para a crise. Como era de se esperar, a conferência patrocinada por um governo burguês votou um programa burguês de reformas, e não um programa socialista.

Segundo a principal proposta do evento, “devem ser criadas novas instituições econômicas (multilaterais), sobre novas bases, que disponham da autoridade e os instrumentos para atuar contra a anarquia da especulação”.

Essa é a mesma proposta de Ignacio Ramonet, um dos fundadores do Fórum Social Mundial, que defende um “novo Bretton Woods”, a conferência de 1944 que fundou o FMI e o Banco Mundial.

Ou seja, não é preciso acabar com o imperialismo, mas criar novas instituições para buscar um capitalismo mais humano. Todos esses setores defendem uma alternativa por dentro da estrutura capitalista e imperialista atual. Nenhum deles defende uma ruptura com a dominação imperialista sobre nossos países e nem com a estrutura capitalista. Todos têm boas relações com o imperialismo europeu (Chávez, por exemplo, vive elogiando os governos europeus, como alternativa à Bush) e manifestam expectativas no governo Obama.

Assim, a estratégia dos reformistas é mais uma utopia reacionária de humanizar o capitalismo. Mas as grandes multinacionais vão continuar atuando sob a lógica de sempre nas crises: descarregando a conta sobre os ombros dos trabalhadores, com miséria e desemprego.

Infelizmente, o PSOL aderiu às resoluções dessa conferência de Caracas. Em sua reunião da executiva nacional, adotou uma resolução que diz: “Por isso, em termos gerais, o PSOL apóia as medidas sugeridas pelos participantes da Conferência Internacional de Economia Política, recentemente realizada em Caracas”.

Alba: um novo Mercosul
Segundo a resolução de Caracas, “será chave em tal sentido desenvolver a maior complementação e a integração comercial regional em forma equilibrada, potenciando as capacidades industriais, agrícolas, energéticas e de infra-estrutura. Iniciativas como a Alba e o Banco do Sul deverão ampliar seu raio de ação e consolidar sua perspectiva para uma maior integração alternativa que inclua uma nova moeda comum, na perspectiva de uma nova arquitetura financeira mundial que viabilize outra inserção do Sul na divisão internacional do trabalho.”

A Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) é definida pelo próprio Chávez como uma área de “livre comércio”. Essa seria a alternativa. Mas ao não serem estatizadas, as grandes multinacionais continuarão controlando qualquer espaço econômico comum. A Alba é, assim, uma espécie de Mercosul, uma área de livre comércio ocupada pelas multinacionais instaladas no Brasil e Argentina. Um Mercosul com mais discursos antiimperialistas, mas com a mesma realidade capitalista.

A experiência dos trabalhadores brasileiros demonstra que o Mercosul não melhorou em nada a nossa vida. Melhorou sim para as multinacionais aqui instaladas, como as montadoras de automóveis que podem exportar para os países vizinhos com menos taxas. E ainda levou a uma maior exploração dos trabalhadores de países como o Paraguai e Uruguai.

O nosso horizonte estratégico não pode ser rebaixado a um “grande Mercosul”. A necessidade real é a da ruptura com o imperialismo e com a dominação das multinacionais.

Nem Chávez e nem Lula vão expropriar os bancos e as multinacionais. Não é por acaso que a resolução da Conferência de Caracas não fala nada das multinacionais. Em relação aos bancos propõe o “controle, intervenção, ou nacionalização sem indenização”. Ou seja, propõe alternativas que vão desde o “controle” defendido por Bush até a “nacionalização sem indenização” que nós defendemos. E Chávez, até agora, não adotou nenhuma delas.

A luta pela libertação real diante do imperialismo terá de se dar contra estes governos. Devemos exigir delas a nacionalização sem indenização dos bancos, a estatização das multinacionais, o não pagamento da dívida pública, para garantir aos trabalhadores a estabilidade no emprego, um plano de obras públicas que assegure emprego a todos, assim como aumentos salariais.

Para construir uma real alternativa dos trabalhadores é preciso manter a independência política diante dos governos burgueses de nosso continente.

Eduardo Almeida Neto - da Direção Nacional do PSTU e Editor do Opinião Socialista

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

E a Palestina...

Hoje é o dia do meu aniversário, mas não é por isso que a vida parou... Entrando no Portal do PSTU hoje a noite poucos momentos antes de ir para o 3º Ato das comemorações de aniversário mais impessoais que eu já tive, uma das poucas notícias novas era exatamente "Israel promove pior massacre na Faixa de Gaza em 40 anos".


Nesse post, vai logo abaixo algumas poesias que está no Especial sobre a Intifada Palestina no mesmo portal.


CARTEIRA DE IDENTIDADE
Mahmud Darwish

Registra-me
Sou árabe
O número de minha identidade é cinqüenta mil
Tenho oito filhos
E o nono...
virá logo depois do verão
Vais te irritar por acaso?

Registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos

arranco das pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?

Registra-me
Sou árabe
Meu nome é muito comum
E sou paciente
Em meu pais que ferve de cólera
Minhas raízes...
Fixadas antes do nascimento dos tempos

Antes da eclosão dos séculos
Antes dos ciprestes e oliveiras
Antes do crescimento vegetal
Meu pai...da família do arado
E não de família de senhores
E meu avô era camponês sem árvore genealógica
Minha casa
Um barraco
De canas e ramagens
Satisfeito com minha condição
Meu nome é muito comum
Registra-me
Sou árabe
Cabelos... negros
Olhos... castanhos
Sinais particulares
Uma hatta * e uma faixa na cabeça
As palmas ásperas como rochas
Arranharam as mãos que estreitam
E gosto do azeite de oliva e o tomilho

Meu endereço
Sou de um povo perdido... esquecido
De ruas sem nome
E todos os seus homens estão no campo e na pedreira
Vais te irritar por acaso?

Registra-me
Sou árabe
Tu me despojaste dos vinhedos de meu antepassados;
E da terra que cultivava
Com meus filhos
E não nos deixaste
Nem a nossos descendentes
Mais que estes seixos
Que nosso governo tomará também
Como se diz

Vamos!
Escreve
Bem no alto da primeira página
Que eu não odeio os homens
Que não agrido ninguém
Mas... se me esfomeiam
Como a carne de quem me despoja
E cuida-te
De minha fome
E minha cólera

Mahmud Darwish
De Folha de Oliveira.


ESPERANÇA
Mahmud Darwish

Enquanto em vossos pratos haja um pouco de mel
Espantem as moscas dos pratos
A fim de consevrar o mel
Enquanto haja cachos de uva nos vinhedos
Expulsem as raposas
Ó guardiães de vinhedos
A fim de que amadureça a uva
Enquanto fique em suas casas
Uma toalha... e uma porta
Protejam do vento os pequenos
A fim de que os filhos durmam
Vento... frio... fechem as portas
Enquanto em suas artérias haja sangue
Não o dilapidem
Pois em vocês há recém-nascidos...
Enquanto haja fogo na lareira
E café... e uma braçada de lenha.

Poemas de Mahmud Darwish

sábado, 27 de dezembro de 2008

Devaneios e coisas sérias por Fabiano Santos



Pois é, aqui estou com mais uma postagem... Aqui no blog que particularmente neste mês se tornou um parceiro inseparável (para constatar isso, basta comparar o volume de postagens do mês que estamos com os outros do ano que teima em não acabar).

Final de 2008, todo mundo esperando o próximo ano, no meu caso espero que (como todos os anos) meu aniversário chegue antes, isso mesmo, daqui a aproximadamente três dias eu faço aniversário e efetivamente chego aos meus 26 anos de vida... Digo efetivamente por que na prática já é isso que rola, a final já se passaram 362 dias desde que eu fiz o último, não vão ser os três dias que faltam que de fato vão me deixar mais velho.

Mas enfim, ano de muitas comemorações (assim como todos) veja só, terminou o ano de 2007 e já no primeiro dia de 2008 as pessoas começam a fazer uma série de comemorações, comemoram tudo, o primeiro beijo do ano, o primeiro porre do ano (que na prática começou no ano anterior), a primeira trepada, a primeira briga com a namorada (que logo depois que lembram que é a primeira do ano tratam logo de terminar a briga e comemorar), o primeiro mergulho no mar e logo depois o primeiro mergulho na piscina, o primeiro brinde, o primeiro telefonema, enfim... As pessoas parecem envoltas a um frenesi sem fim, como se a vida tivesse recomeçado, algo tipo o eterno retorno, falo tipo mesmo, por que não quero aqui com esse post terminar por fazer uma grandiosa discussão filosófica, mas apenas me servir de uma frase... As pessoas fazem todas as merdas possíveis durante ano, e assim que acaba parece que a vida recomeça pra voltar a fazer todas as merdas de novo, e o pior jurando para si mesmo que "esse ano vai ser tudo diferente".

Depois disso tudo no primeiro dia do ano, tudo volta à normalidade, aqueles que pararam de fumar, voltam no dia seguinte, as brigas de namorados voltam e não tem motivos pra parar, mas vejam só meus caros, as comemorações voltam a tona, é dia das mães, dos pais, dos namorados, carnaval, páscoa, são João, são Pedro e todos os outros santos possíveis de se imaginar(por que tem aqueles que nem com a imaginação mais fértil do mundo você consegue imaginar que existe, tipo Santa Maria das Virgens de Tangamandápio), se não for ano de Olimpíadas é ano de Copa do Mundo, se não for ano de Copa América inventam qualquer coisa...(tenho quase certeza que vai acontecer igualzinho neste ano que esperamos começar pontualmente no minuto posterior às 23:59h do dia 31/12/2008)

Pois bem, eu sou uma criatura como outra qualquer e faço planos para o ano que vêm:

1. ter a primeira viagem do ano no primeiro dia do ano;
2. Fumar menos de repente até parar;
3. estudar de verdade pra ver se minha formatura finalmente sai;
4. O Timão voltou e junto com ele veio o Ronaldão (já foi dinho um dia), torcer que nem um louco pra ver o curinthians ganhar o brasileirão mais uma vez;
5. Torcer mais ainda pra que a classe operária se movimente de uma vez e faça o "espectro do comunismo" rondar não só a Europa mais o mundo inteiro;
6. Que a crise se aprofunde e vejamos mais e mais mobilizações como estamos vendo na Grécia, na Itália, nos EUA, etc...
7. Que finalmente vejamos os ricos pagando por uma crise do capital;
8. Que Obama seja desmascarado o mais rápido possível coma força dos operários norte-americanos;
9. Que Ana Dayse (reitora da UFAL) tome tenência na vida e peça sua renúncia, se arrependendo de todas as sandices cometidas contra o Movimento Estudantil da UFAL e contra a própria UFAL;
10. que eu continue escrevendo coisinhas pra colocar aqui no cantinho que lhes cabe.

Pois é, uma listinha básica se tudo isso acontecer pode crer que eu vou ficar feliz a vera...

Que venha 2009, com muita luta a ser feita, coisas a serem comemoradas, e bons jogos de futebol (hehe, Timão de novo na primeira) pra assistir com meus bons camaradas!

Fabiano Santos (e depois dizem que férias não atrofia o cérebro)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Letras por John Lennon

Para uma tradução rápida(mas ruinzinha) para o Português, utilize o Google Traductor ao lado direito do Site!

Working Class Hero

As soon as you're born they make you feel small
By giving you no time instead of it all
Till the pain is so big you feel nothing at all
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

They hurt you at home and they hit you at school
They hate you if you're clever and they despise a fool
Till you're so fucking crazy you can't follow their rules
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

When they've tortured and scared you for twenty odd years
Then they expect you to pick a career
When you can't really function you're so full of fear
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

Keep you doped with religion and sex and TV
And you think you're so clever and classless and free
But you're still fucking peasants as far as I can see
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

There's room at the top they are telling you still
But first you must learn how to smile as you kill
If you want to be like the folks on the hill
A working class hero is something to be
A working class hero is something to be

If you want to be a hero well just follow me
If you want to be a hero well just follow me

Isolation

People say we got it made don't they know we're so afriad
we're afraid to be alone, everbody got to have a home
Isolation

Just a boy and a little girl
trying to change the whole wide world
Isolation

All the world is a little town
everybody trying to put us down
Isolation

I don't expect you to understand
after you caused so much pain
But the again you're not to blame
your just a human, a victim of the insane

We're afrain of everyone, afraid of the sun
Isolation

The Sun will never disappear
but the world my not have many years
Isolation


Imagine

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky

Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too

Imagine all the people
Living life in peace
You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man

Imagine all the people
Sharing all the world

You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some dayYou'll join us
And the world will be as one

Give Peace A Chance

Two, one two three four
Ev'rybody's talking about
Bagism, Shagism, Dragism, Madism, Ragism, Tagism
This-ism, that-ism, is-m, is-m, is-m.
All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

C'mon
Ev'rybody's talking about Ministers,
Sinisters, Banisters and canisters
Bishops and Fishops and Rabbis and Pop eyes,
And bye bye, bye byes.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Let me tell you now
Ev'rybody's talking about
Revolution, evolution, masturbation,
flagellation, regulation, integrations,
meditations, United Nations,
Congratulations.

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance

Ev'rybody's talking about
John and Yoko, Timmy Leary, Rosemary,
Tommy Smothers, Bobby Dylan, Tommy Cooper,
Derek Taylor, Norman Mailer,
Alan Ginsberg, Hare Krishna,
Hare, Hare Krishna

All we are saying is give peace a chance
All we are saying is give peace a chance.


Happy Xmas (War Is Over)

So this is christmas
And what have you done
Another year over
And new one just begun

And so this is christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas (war is over...)
For weak and for strong (...if you want it)
The rich and the poor one
The world is so wrong

And so happy christmas
For black and for white
For the yellow and red one
Let's stop all the fight

A very merry christmas
And a happy new year
Lets hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas
And what have we done
Another year over
And new one just begun...

And so happy christmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

War is over - if you want it
War is over - if you want it
War is over - if you want it
War is over - if you want it

God

God is a concept,
By which we measure
Our pain.
I'll say it again.
God is a concept,
By which we measure
Our pain.
I don't believe in magic
I don't believe in I-Ching
I don't believe in Bible
I don't believe in Tarot
I don't believe in Hitler
I don't believe in Jesus
I don't believe in Kennedy
I don't believe in Buddha
I don't believe in Mantra
I don't believe in Gita
I don't believe in Yoga
I don't believe in Kings
I don't believe in Elvis
I don't believe in Zimmerman
I don't believe in Beatles
I just believe in me
Yoko and me
And that's reality.
The dream is over,
What can I say?
The dream is over
Yesterday
I was the dreamweaver,
But now I'm reborn.
I was the walrus,
But now I'm John.
And so dear friends,
You just have to carry on
The dream is over.

John Lennon

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

É preciso avançar na construção do Congresso Nacional de Estudantes!

O Movimento Estudantil(ME), nos últimos anos, voltou a ocupar lugar de destaque nas mobilizações das forças populares em nosso país. Efetivamente é a partir do primeiro semestre de 2007, com a ocupação da USP e da greve das estaduais paulistas que o ME atinge um patamar superior de mobilizações em detrimento ao que vinha ocorrendo desde a década de 1990 e mais da metade da década de 2000.


No último período, o ME se enfrentou com as suas direções tradicionais(UNE), forjou ferramentas como a CONLUTE(Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes) e a FLCRU(Frente de Luta Contra a Reforma Universitária), essa última foi a ferramenta capaz de alavancar mobilizações, onde várias delas foram vitoriosas, fazendo que os estudantes ampliassem sua consciência da necessidade de lutar. Essa mesma ferramenta mostrou claros sinais de limites, e a necessidade cada vez maior da construção de um processo onde a base do ME possa, de fato, decidir seus rumos.

Não acreditamos que seja o Congresso da UNE o espaço em que a partir da construção coletiva, o ME sintetizará uma pauta em que coloque os estudantes num patamar superior de lutas e organização ao que chegamos em 2007 e 2008, por isso a necessidade de construir uma outra ferramenta alternativa às tradicionais e o Congresso Nacional de Estudantes é parte disso, assim como a proposta de construção de uma alternativa à própria UNE.


A construção do Congresso Nacional de Estudantes, passa pro envolver todos e todas os/as ativistas que construíram as mobilizações recentes, porém sabemos que tem setores(e esse foi um dos motivos da derrocada da FLCRU) que preferem segurar o osso do que correr atrás de carne nova, ou sejam, se preocupam mais em manter a estrutura da UNE intacta do que construir uma alternativa de luta a essa entidade e sua direção burocrática e comprometida com os interesses do governo e mais do que isso do regime político e do próprio Estado burguês.


A vida anda cada vez mais difícil na aldeia... Mobilizações acontecem de um lado, mas de outro a repressão e criminalização do ME e Movimentos Sociais também avança, são sindicalistas sendo demitidos, pancadaria por parte da polícia(vide ato na ANP), seguranças das universidades fazendo a vezes de Polícia política das reitorias e dos REItorados, sem falar da violência no campo.


Avançar na construção do Congresso Nacional de Estudantes e por conseqüência na construção de uma alternativa à (des)União Nacional dos Estudantes, é fazer avançar a luta e organização dos estudantes, dos trabalhadores e dos setores mais oprimidos e explorados da nossa sociedade... é fazer avançar a construção de um plano de lutas que nos leve a junto com os trabalhadores trabalhadoras avançar na luta direta contra a exploração do homem pelo homem, na luta direta contra o desemprego que já começa a atingir diversas camadas da classe operária brasileira, é fazer avançar a luta maior por uma sociedade socialista!


Fabiano Santos – Coordenador doDCE/UFAL, do CASS/UFAL e militante do PSTU/LIT-QI




domingo, 21 de dezembro de 2008

Aos Leitores Amigos


Poeta não podem calar-se,
Querem às turbas mostrar-se.
Há de haver louvores, censuras!
Quem vai confessar-se em prosa?
Mas abrindo-nos sob a rosa
No calmo bosque das musas.

Quanto errei, quanto vivi,
quanto aspirei e sofri,
Só flores num ramo --- aí estão;
E a velhice e a juventude,
E o erro da virtude
Ficam bem numa canção

Goethe

A bomba suja

Introduzo na poesia

A palavra diarréia.
Não pela palavra fria
Mas pelo que ela semeia.

Quem fala em flor não diz tudo.
Quem me fala em dor diz demais.
O poeta se torna mudo
sem as palavras reais.

No dicionário a palavra
é mera idéia abstrata.
Mais que palavra, diarréia
é arma que fere e mata.

Que mata mais do que faca,
mais que bala de fuzil,
homem, mulher e criança
no interior do Brasil.

Por exemplo, a diarréia,
no Rio Grande do Norte,
de cem crianças que nascem,
setenta e seis leva à morte.


É como uma bomba D
que explode dentro do homem
quando se dispara, lenta,
a espoleta da fome.

É uma bomba-relógio
(o relógio é o coração)
que enquanto o homem trabalha
vai preparando a explosão.

Bomba colocada nele
muito antes dele nascer;
que quando a vida desperta
nele, começa a bater.

Bomba colocada nele
Pelos séculos da fome
e que explode em diarréia
no corpo de quem não come.

Não é uma bomba limpa:
é uma bomba suja e mansa
que elimina sem barulho
vários milhões de crianças.

Sobretudo no nordeste
mas não apenas ali
que a fome do Piauí
se espalha de leste a oeste.

Cabe agora perguntar
quem é que faz essa fome,
quem foi que ligou a bomba
ao coração desse homem.

Quem é que rouba a esse homem
o cereal que ele planta,
quem come o arroz que ele colhe
se ele o colhe e não janta.

Quem faz café virar dólar
e faz arroz virar fome
é o mesmo que põe a bomba
suja no corpo do homem.

Mas precisamos agora
desarmar com nossas mãos
a espoleta da fome
que mata nossos irmãos.

Mas precisamos agora
deter o sabotador
que instala a bomba da fome
dentro do trabalhador.

E sobretudo é preciso
trabalhar com segurança
pra dentro de cada homem
trocar a arma de fome
pela arma da esperança.


Ferreira Gullar

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A herança

Assim Nixon comanda com napalm,
assim devasta raças e nações,
assim governa o triste Tio Sam:


com assassinos em seus aviões
ou com dólares verdes que reparte

entre politiqueiros e ladrões.


Chile, te colocou a geografia

entre o oceano e a primavera,

entre a neve e a soberania

e tem custado o sangue da gente
lutar pelo decoro. E a alegria
era delito em tempo precedente.

Recordam dos massacres miseráveis?
deixaram-nos a pátria malferida
a golpes de correntes e de sabres!


Pablo Neruda

1984: ANO 1, ERA DE ORWELL

enquanto os mortais
aceleram urânio
a borboleta
por um dia imortal
elabora seu vôo ciclâmen


v


uma dança
de espadas


esta
escrita
delirante

lâminas cursivas

a lua
entre dois
dragões

com uma haste
de bambu
passar
por entre lianas
sem desenredá-las


Haroldo de Campos

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Hai-kais por Alice Ruiz

"à beira do insuportável
essa qualidade rara
ser insubordinável "

"roubaram a casa
as moscas ficaram
às moscas "

"quem ri quando goza
é poesia
até quando é prosa"


"fim de tarde
depois do trovão
o silêncio é maior"

"diante do mar
três poetas
e nenhum verso"

"lembra aquele beijo
corpo alma e mente?
pois eu esqueci completamente"

"sob a folha verde escura
a folha verde clara
trêmula dissimula"

"varal vazio
um só fio
lua ao meio"

"você deixou tudo a tua cara
só pra deixar tudo
com cara de saudade"

"the forget-me-not is blooming
but the things of long ago
how can I forget them?"*

"mal me quer
coisas de antes
quem não quer"*

"névoa na estrada
à beira de um sonho
um trem para Praga"

Alice Ruiz
*Do livro Dez Haiku - Tradução de Alice Ruiz

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Poesias por Leminsk

en la lucha de classes

en la lucha de classes
todas las armas son buernas
piedras,
noches
poemas


Quero a vitória...


quero a vitória
do time da várzea

valente
covarde

a derrota
do campeão

5 X 0
em seu próprio chão

circo
dentro
do pão


Manchete


CHUTE DE POETA

NÃO LEVA PERIGO À META


Um bom poema


um bom poema

leva anos

cinco jogando bola,

mas cinco estudando sânscrito

seis carregando pedra,

nove namorando a vizinha,

sete levando porrada,

quatro andando sozinho,

três mudando de cidade,

dez trocando de assunto,

uma eternidade, eu e você,

caminhando junto.


Eu queria tanto


eu queria tanto

ser um poeta maldito,

a massa sofrendo

enquanto eu profundo medito


eu queria tanto

ser um poeta social

rosto queimado

pelo hálito das multidões


em vez

olha eu aqui

pondo sal

nesta sopa rala

que mal vai dar pra dois


Podem ficar com a realidade


podem ficar com a realidade

esse baixo astral

em que tudo entra pelo cano


eu quero viver de verdade

eu fico com o cinema americano



Paulo Leminski




segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

pequena notícia rápida...

A repressão da polícia contra os estudantes de Santos em luta continua existindo. Depois de levar cerca de 30 estudantes pro 7º DP os estudantes foram impedidos de panfletar na porta da universidade. Um estudante tem seu cartão bloqueado e foi impedido de entrar na universidade que estuda, ou tenta, pois soube ali que tinha sido expulso da universidade.
Na hora da panfletagem, chegou três viaturas políciais que impediu não só a panfletagem, como também impediu estudantes de entrarem na universidade para fazerem suas provas finais.
Os estudantes presentes na ocupação são vigiados até mesmo quando estão em bares, em atividades que nada tem haver com a luta estudantil...
Coloco aqui, novamente, a minha solidariedade!
Fabiano Santos

O mundo está mesmo de ponta cabeça?!?

Nesta conjuntura vemos várias pessoas humildes, “intelectuais”, intelectuais, antigos e novos militantes, pessoas que só querem saber da mesa do bar, executivos e operários, perplexos, uma frase muito comum de ser ouvida nos últimos dias de 2008 é, “esse mundo está cabeça pra baixo”.

Desde a crise de 2001 a América Latina vive convulsões sociais, que derrubaram vários presidentes (Argentina, Bolívia, Equador), uma tentativa de golpe na Venezuela que foi derrotada pelas massas e essa conjuntura que permite eleger presidentes como Kirchner na Argentina, Chavez na Venezuela, Lula no Brasil, Correa no Equador, e todos os outros governos de Frentes Populares e/ou Nacionalistas burgueses, no nosso continente.

Esses governos representam em maior ou menor medida mediações distorcidas da realidade, pois são encarados pelas massas trabalhadoras como produtos finais de uma vitória sua, mas na verdade são mediações do capital para evitar uma derrota ainda maior, a contradição se expressa então por que de um lado os trabalhadores enxergam esses governos como seus, mas esses mesmos governos traem as verdadeiras necessidades da classe e governam para a burguesia, é exatamente essa característica que leva a tanta confusão à classe trabalhadora sobre o verdadeiro caráter desses governos.

A crise de 2001 foi uma crise como um potencial destrutivo (no sentido de destruição de forças produtivas, e do nível de vida das massas) muito menor do que essa que vivenciamos no momento, mesmo assim gerou as guerras do Afeganistão e do Iraque, que gerou grandes revoltas em todo o Oriente Médio, além de gerar as movimentações na América Latina como já vimos. Além disso a consciência anti-imperialista também foi ampliada em todo o mundo.

Agora em 2008, vivemos a maior crise desde o grande craque da bolsa de Nova York em 1929, o proletariado norte-americano, o primeiro a sofrer com a crise, já mostra alguns sinais de mobilizações, seja a greve de mais de 50 dias dos operários da Boeing, seja a recente ocupação de fábrica em Chicago, são sinais que podem confluir em mobilizações muito maiores. Na Itália estudantes e professores promoveram manifestações com mais de 200.000 pessoas, na Espanha os operários não ficaram calados frente ao desemprego e várias manifestações ocorreram, agora na Grécia, manifestações ocorrem durante 10 dias seguidos.

Por conta de toda essa conjuntura, existe um deslocamento para a esquerda na consciência das massas trabalhadoras em vários lugares, isso permitiu, por exemplo, a eleição de Obama nos EUA, e permitiu também que o mesmo apoiasse os trabalhadores da fábrica ocupada em Chicago, não que o governo Obama seja uma Frente Popular ou um governo nacionalista burgues, pois o mesmo é de um partido burgues tradicional dos EUA, mas tras esperanças e confusões quase do mesmo modo.

Mais recentemente, vimos o Rafael Correa decretar uma “meia moratória”(apelido que eu dei pra moratória de parte da dívida do Equador), dizendo que não tem mais dinheiro para pagar o total da dívida. Essa é mais uma medida que vai ampliar as ilusões dos trabalhadores, a final essa é uma bandeira histórica da esquerda mundial(o não pagamento da dívida) que o Correa coloca em prática pela metade, e ainda assim, não para que as necessidades do povo trabalhador equatoriano fossem minimamente garantidas, mas por que não tem dinheiro para continuar pagando religiosamente ao imperialismo. Sendo assim, se paga o que pode, mas segue pagando.

A perplexidade no nosso meio é tamanha, que diante dos enfrentamentos com os movimentos sociais, esses governos costumam até radicalizar mais na repressão, assim vemos o Governo Lula ou agir diretamente colocando a PF dentro das universidades, ou fecha os olhos frente as ações dos governos estaduais contra o conjunto dos movimentos sociais. A repressão existe também na Venezuela, no Chile e nos diversos países onde esses governos estão instalados, mostrando a verdadeira face desses governos, mesmo assim as maiorias dos trabalhadores seguem apoiando os mesmos e eles continuam seguindo os planos da burguesia internacional.

Além disso, o papel que a maioria das entidades e grupos políticos forjados nas lutas dos trabalhadores jogam frente a esse governo é completamente nocivo, costumam apoiar completamente os governos, dizendo sempre que os mesmos são progressistas, ou que na verdade temos que ter paciência, ampliando mais ainda as ilusões e o poder de controle das Frentes Populares ao conjunto dos trabalhadores, esse é o papel que vemos o PT, a CUT, a UNE e até o próprio MST cumprir frente ao governo Lula, assim como setores do PSOL cumprem o mesmo papel frente ao governo Chaves e Morales, com a desculpa que esses governos são mais a esquerda, e atendem as reivindicações dos trabalhadores.

Diante disso tudo, penso que já posso responder à pergunta do título do texto. Não, o mundo não está de ponta cabeça. Está exatamente onde ele deveria estar levando em conta que vivemos numa sociedade onde o Modo de Produção hegemônico é o Capitalista. A crise econômica faz parte do ciclo capitalista, assim como as mobilizações que o mundo enfrenta, na verdade desde 2001, e parece ser que a tendência é que se ampliem por conta da crise atual, também faz parte do cenário desse Modo de Produção. Os governos que dizem ser de esquerda é mais um elemento fortemente usado durante o século XX, assim como a traição de direções em outros momentos combativas. Tudo isso faz parte do tipo de sociedade que humanidade construiu na sua história(ou na sua pré-história já diria Marx na Ideologia Alemã).

A única alternativa verdadeira para os trabalhadores e pra maioria da humanidade é a superação desse modo de produção e a construção do socialismo, pra se ter uma idéia a URSS durante a crise de 1929(a maior até agora vivenciada pela humanidade no Modo de Produção Capitalista) não foi atingida pela crise, mesmo a burocracia já tendo iniciado todo o processo de degeneração e burocratização do Estado Operário Soviético, depois da revolução de 1917.
Inverter completamente as relações que vivemos hoje, sejam elas economicas, sociais ou culturais, é fundamental. A humanidade e o planeta não pode resistir eternamente às relações de produção e superexploração, que existem na atualidade, onde a lógica da produção é o lucro e não a satisfação das necessidades da humanidade.

O mundo segue como estava e para sairmos do buraco cada vez mais fundo(o caminho para a bárbarie) que a burguesia colocou a humanidade é mais do que nunca necessário que a classe operária coloque o mundo, dessa vez de verdade, de ponta cabeça.

Fabiano Santos - estudante de Serviço Social da UFAL

Ainda sobre mudanças...

Então, pessoas, na semana passada eu iniciei uma série de testes no blog, com o intuito de dar uma cara nova para o mesmo, dessa forma os leitores e as leitoras que acompanham o blog desde 2007 e durante todo o ano de 2008, perceberam algumas delas...

Bom, sobre a cor do fundo, larguei de mão o preto e curti esse cinza aí, as mudanças nas cores das fontes vem no sentido de se adequar as novas cores do blog, deixando de ter essa coisa meio teletubbie(nas palavras do Mário em comentário no post anterior sobre mudanças)...

À época que criei o blog, não existia a lista de blog, esssa lista foi add agora e dar pra ter um acompanhamento melhor das atualizações dos blogs linkados no meu, sem falar que segue existindo a lista de links para outros sites, por motivo de preguiça não foram adicionados novos sites, talvez nas férias isso aconteça.

Sobre os contadores, existem dois contadores no site, o que o número mostra, na verdade númera quantas páginas foram visitadas, o do histats, tem informações mais detalhadas, quem tiver curiosadade de mecher nos contadores vai perceber que existem diferenças entre os números mostrados, isso acontece por que às vezes os servidores do mesmo por algum motivo não funciona e a contagem funciona com base em dados diferentes, por isso resolvi colocar os dois.

Informação especial para o Mário e para os novos visitantes do blog... no início o blog tinha como único intuito postar poesias que tinha a ver com a luta social, eu concordando ou não com o conteúdo delas, em 2008 comecei a postar textos meus também, portanto a descrição do blog logo no cabeçalho do mesmo segue sendo válido, a saber: "Esse é um Blog cujo interesse é socializar Poesias, Poemas, Poetas e Poetisas, assim como alguns fatos que acontecem na nossa sociedade", na da de futebol, shows e coisas que eu curto mas não tem haver diretamente com a função inicial do mesmo.

No mais, a maioria dos posts que eu escrevo, digito diretamente, no espaço de postagem(exatemente como esse), e não os corrijo por preguiça e total falta de saco, por tanto espero que me perdoem pelos erros de digitação, de concordância, falta de acento, etc.

por enquanto é isso... abs
 
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