Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ah as primícias

Ah as primícias / como envelheceram
como o azar se converteu em castigo
como o futuro se esvaziou de pobres
como os prêmios colheram prêmios
como desamoraram os amores
como a façanha terminou em suspeita
e os oráculos emudeceram

tudo afunda na névoa do esquecimento
porém quando essa névoa se dissipa
o esquecimento está cheio de memória
Mário Benedetti - poeta uruguaio
A tela é o Operário de Sigaud de Eugenio Sigaud

domingo, 14 de dezembro de 2008

Fronteiras

Os corações
[assim como as pátrias]
não deviam ter fronteiras.

Queria explodi-las
em suspiros, gozo e anátemas
para que de tantos pedaços
brotassem outras centenas.

Os corações
[assim como as pátrias]
não deviam ter fronteiras...

mas têm.


Mauro Iasi

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A Escravidão*

Se Deus é quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.
Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em seu delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!...

Tobias Barreto - Jurista, filósofo e poeta sergipano do Século XIX, hoje da o nome a sua cidade natal(à época chamada de Campos do Rio Real)

* Poema do Livro Dias e Noites

A imprensa e as mobilizações na Grécia

Aqui estou de novo, e peço desculpas por que mais uma
vez vou tratar de alguma coisa relativa à crise econômica, mas dessa vez pra tentar desfazer alguns entendimentos que a Imprensa tenta levar sobre os últimos acontecimentos, ocorridos do outro lado do Atlântico, mas precisamente na Grécia.

Esse país presencia sete dias seguidos de manifestações, com uma greve geral que paralisou todo o país por 24 horas, e a imprensa quer nos levar crer que tudo isso acontece por conta da morte de um estudante a partir de um tiro desferido pela polícia, não que a morte de uma pessoa seja um assunto de menor importância, mas o fato é que manifestações tão massivas nunca existiram por conta da morte de um pessoa, talvez isso tenha sido a gota d’água que faltava, ou a faísca que gerou o incêndio, mas o fato é que pra que isso acontecesse, ou as condições postas para que o incêndio já existiam ou o copo já estava cheio e com a gota que faltava... Transbordou.

O mundo está sacudido pela crise, todos os países em maior ou menor medida estão sendo afetados pela crise, do Japão aos EUA, da China ao Brasil, da África à União Européia, isso não obviamente não é diferente com a Grécia.

O Jornal da Globo, faz uma chamada dizendo, “Grécia atravessa sete dias de protestos consecutivos por conta de morte de estudante.”, na verdade não só a Globo, mas o conjunto da Imprensa burguesa nacional e internacional, tentam explicar isso a partir da morte de um estudante, e não leva em consideração uma coisa, esse estudante foi morto em uma manifestação, que obviamente ocorria antes da morte dele.

A Espanha, Itália e França já tinham presenciado manifestações por conta da crise, e a Grécia desde que aderiu à União Européia, amarga índices de desenvolvimento social cada vez menores, a taxa de desemprego crescente, e os baixos salários, são cada vez mais pressionados por conta da crise, a juventude até os 30 anos de idade ganham salários que não passam dos 700 Euros, que para a realidade européia é um salário de fome.

Aí está o verdadeiro motivo das manifestações que sacode a Europa e nesse momento a Grécia, e aí está também a lição que os europeus estão nos dando de como lidar com a Crise.

Na Espanha os operários da Nissan fizeram grandes manifestações, na Itália, os estudantes e professores conseguiram mobilizar o conjunto da sociedade contra a reforma educacional e o corte de vagas na educação, e por outro lado a doação de verbas para as empresas promovida pelo governo Berlusconi, esse exemplo chega à América a partir dos EUA, primeiro com a greve vitoriosa de mais de 50 dias dos operários da Boing, e agora com a ocupação da fabrica da Republic Windows and Doors, em Chicago, que já dura 5 dias após a sua falência.

Esse é o caminho para lidar contra a crise e o desemprego, operários e estudantes do mundo inteiro se mobilizam...

Mais informações no portal do PSTU

Fabiano Santos - Coordenador Geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU/LIT-QI

Mais um capítulo... lamentável da democracia burguesa!

Ontem, logo cedo, fui acordado por um telefonema de outro estado, às 6:30 da manhã. Naquele estágio em que a pessoa não sabe se esta dormindo ou acordado, olhei pro telefone e, diferente do que eu costumo fazer nessas ocasiões, resolvi atender ao telefone...

- Fabiano, a Tropa chegou por aqui!(uma voz com um pouco de aflição)
(eu ainda mais dormindo que acordado) - Putz!
- Manda e-mail pras listas nacionais!
-Minha casa ta sem energia, mas eu vou tentar ligar por povo e ver o que eu posso fazer!
E a partir disso eu não mais consegui dormir, pensando em como estava se dando as coisas na ocupação, ou na verdade nesse momento na desocupação da Unisantos.

A Tropa chegou, e tirou à força os estudantes que se encontravam na mantenedora, utilizando alguns instrumentos, que eu nunca vi a PM (ou qualquer setor dela) utilizar contra bandidos, como por exemplo, gás de pimenta, gás lacrimogêneo, instrumentos típicos da repressão à Movimentos(na linguagem policial, os famosos Baderneiros), além disso levaram cerca de 25 estudantes pro 7º DP..

O uso da força policial, e o uso de instrumentos próprios pra determinadas situações mostram de que lado está a nossa linda democracia, exatamente do lado dos burgueses, dos patrões, dos tubarões do ensino (no caso a Igreja Católica), enfim, daqueles que naquela pirâmidezinha social que estudamos lá na 4º série, estão localizados mais exatamente no topo.

Esse episódio, na verdade é mais um capítulo da repressão crescente aos movimentos sociais. Seja o governo federal, seja os governos estaduais, ambos reprimem duramente os Movimentos sindical, popular e estudantil... Seja com a PM arrastando estudantes, seja demitindo lutadores e lutadoras, seja acobertando as milícias armadas dos grandes latifundiários no campo, em todas as situações o que vemos na verdade é o governo agindo diretamente ou se omitindo de determinadas situações e por tanto sendo conivente com a repressão hoje instaurada no dito Estado Democrático de Direito (como já falei em algum lugar, prefiro chamar isso de Ditadura da burguesia sobre os trabalhadores)

Deixo aqui a minha solidariedade aos estudantes da Unisantos, além do conjunto de lutadores e lutadoras que através dessa ação consciente do Estado burguês são reprimidos nas lutas e no cotidiano!

A luta não para na repressão, ao contrário, segue com laço mais forte, temperado no enfretamento, não só com a Igreja Católica(no caso da Unisantos), mas diretamente contra o Estado.
Visitem: http://www.blogdoces.org/

Fabiano Santos – é Coordenador geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência do DCE/UFAL, e militante do PSTU/LIT-QI

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sobre mudanças... São só um teste

Então gente quem ta visitando agora o Poesia & Luta, eu to fazendo uns testes enquanto eu estou na UFAL, quando chegar em casa é que irei decidir se permance como está, se volta ao normal, ou se muda tudo de vez...

Só pra saber mudou as cores, tem um contador, um link de inscrição de RSS, e os marcadores, para facilitar as buscas no blog por tema! Aos poucos eu vou aprendendo a mecher nas novas tecnologias, rs e aperfeiçoando o blog, pra isso é preciso fazer testes, errar, acertar, mudar, voltar, avançar, enfim...rsrs

enquanto isso, leitores e leitoras, estamos abertos a sugestões, rs

Há braços!!!

Fabiano

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dedução

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Mayakovsky

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sobre a crise economica, a Classe Operária e o Movimento Estudantil

A partir do final de 2007, vivemos uma crise econômica, que aumenta o seu potencial destrutivo e portanto agravada pela crise financeira mundial.

O Governo Lula, que sempre seguiu a cartilha do mercado e de suas agências e organismos, disse que a economia brasileira estava preparada para a crise, que a crise era apenas "uma marolinha", representantes do governo e do PT, dizem que o Brasil é vanguarda na economia, e que é dos países em desenvolvimento que saíra a solução pra crise, ou seja, para o PT e para o governo estamos vivendo uma grande festa da economia, estamos no rumo certo...

Ao contrário dessas fábulas fantasiosas(me desculpem mas não resisti à sutil redundância), com o passar dos dias temos visto o Brasil começar a pagar o seu preço pela crise. Isso já era de se esperar, afinal essa crise não é apenas uma crise de confiança, financeira, ou qualquer coisa que o valha, é uma velha crise cíclica do capital, a famosa crise de superprodução, e me parece que os detentores da maior economia do mundo, não iriam querer pagar sozinhos pela crise, nesse sentido os “EUA, como principal economia do mundo, tem regalias que ajudam a enfrentar a crise. Por exemplo, detém o controle da moeda mundial, o dólar, que lhes dá a possibilidade de transferir parte do prejuízo para o mundo.”(Godeiro)*

Dessa forma vemos cada vez mais dólares saindo das filiais direto para a matriz, e os EUA “socializando” os prejuízos com a Europa e o resto do mundo, obviamente que o mundo globalizado não poderia deixar de globalizar com os países pobres e em desenvolvimento seus prejuízos.

Assim vimos na última semana a FIAT demitir 1000, a Vale 1300, e quase metade dos metalúrgicos entrarem em férias coletivas. O governo continua com a festa dos patrões, depois de ter liberado 180 bilhões para os banqueiros, de ter vetado os 2 bilhões da educação, segue liberando bilhões para montadoras, enquanto isso as mesmas seguem mandando seus lucros para a matriz, ou seja o governo financia o desemprego dos operários brasileiros.

Somente a classe operária pode nos oferecer uma alternativa!

A classe operária é a única classe que pode nos oferecer uma alternativa verdadeira à crise que vivenciamos na atualidade. Somente a movimentação dessa classe, pode fazer com que os ricos paguem por essa crise.

A maior parte da classe ainda confia no governo Lula, ao passo que setores do operariado brasileiro, começam a sentir na pele que a crise chegou. O desemprego deixou de ser apenas uma expectativa, para ser uma realidade, diante disso, o capital vai começar a desferir golpes e mais golpes na classe, dos quais o primeiro(e dos mais poderosos) foi a eleição de um ex-operário à presidência da república, causando ilusões gigantescas à imensa massa de explorados no Brasil.

Ao passo que, algumas importantes iniciativas começam a ser desenvolvidas, do lado de cá da trincheira na luta de classes, como o congresso internacional dos mineiros, convocado pela COB, e realizado em Huanuni, na Bolívia, ver site do ELAC ou a campanha contra o desemprego posta em prática pela CONLUTAS, infelizmente as outras centrais sindicais não se movem e levam os trabalhadores para uma derrota sem precedentes.

Aliança Operário-estudantil

Nós do movimento estudantil não podemos ficar parados apenas observando os trabalhadores e trabalhadoras perderem seus empregos, verem os direitos reduzidos a pó. Desde 2007 temos travado duras batalhas contra os governos e reitorias. A classe operária, começa a sentir o peso da crise cair nas suas costas, por outro lado, os estudantes iniciam algumas mobilizações, nas pagas contra o aumento da mensalidade, nas públicas a luta contra o Reuni continua.

É fundamental para que não sejamos nós estudantes e trabalhadores que paguemos pela crise, que unifiquemos as nossas forças. Temos que nos somar à luta contra o desemprego, contra a retirada de direitos, pois a reforma trabalhista já aparece na ordem do dia de novo, e olhando a história, essa é a principal forma de os capitalistas superarem suas crises, jogar nas costas da classe trabalhadora seus prejuízos.

Não podemos olhar pra frente e continuar encastelados nas nossas universidades como se nada tivesse ocorrendo, chegou a hora, a maior crise econômica desde 1929, se continuarmos isolados no nosso mundo acumularemos derrotas, e o casse operária sofrerá um revéz que nos arrastará junto com ele.

Devemos estar presentes em cada ato, em cada assembléia, em cada manifestação, devemos convidar a classe operária para as nossas manifestações, marchar lado a lado, ombro a ombro com o proletariado, para fortalecer a luta por uma alternativa de verdade, e essa alternativa não pode ser concebida nos marcos da sociedade capitalista, e isso somente nos aliando fortemente à classe operária podemos construir.

Devemos olhar pra trás e seguir os variados exemplos como o Maio Francês de 1968, onde os estudantes batiam às portas das fabricas operárias em busca do seu apoio, e ali se construiu um dos mais belos momentos da luta de classes mundial!

Fabiano Santos – é Coordenador Geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU

*Godeiro, Nazareno. A iminente crise dos países 'emergentes' aprofundará a recessão mundial. Opinião Socialista. Ano XII - nº 362

100 em três dias...


gente desde que eu coloquei um contador no Blog, tive uma feliz surpresa, nesse momento estamos no 94º acesso, o que significa que podemos chegar a 100 acessos em três dias, muito sinceramente nunca imaginei que o blog tivesse mais de 30 visitas por dia, o que, pelo carater do blog, e pelo pouco que eu costumo atualizar considero muito. Me faz crer que esse blog aos poucos vai se tornando um pequeno instrumento na luta por uma sociedade igualitária e socialista.

Muito obrigado pelas visitas,

Abraços

Fabiano

Sobre a Crise Econômica, a Luta Estudantil, Ocupações, e Criminalização dos Movimentos Sociais.

A Luta nas públicas...

Desde 2007 temos visto uma série de mobilizações estudantis, a ocupação da USP deu início a uma série sem precedentes na história recente do Movimento Estudantil brasileiro, ainda no primeiro semestre ocorre uma série de ocupações, como na UFAL, UEFS, e em outras universidades. A própria ocupação da USP, também foi seguida de ocupação e greve nas demais estaduais paulistas, os estudantes começavam a se libertar do burocratismo em que havia se metido desde o início dos anos 90, por conta dos rumos que a UNE tomava desde lá.

O segundo semestre de 2007, inicia, com novas ocupações, dessa vez as ocupações foram mais políticas, se chocaram diretamente com o governo Lula, e as instituições como a UNE, braço direito do governo no Movimento Estudantil, assim como com instituições do Próprio Estado Burguês, como a Polícia Federal, Militar, o Poder Judiciário, etc. A luta contra o Reuni, reafirmou métodos de luta radicalizados, e o novo momento do ME, antes muito confinados em reuniões que nadavam em nada, a experiência do primeiro semestre mostrou que só se muda algo, com muita luta, que pese a derrota parcial que tivemos, na luta contra o REUNI, mas isso por conta de alguns elementos que mais em baixo trataremos.

2008 entrou, e a luta continuou, a ocupação da UnB, contra a corrupção da reitoria, a denúncia direta do reitor, e a luta contra as fundações, deram a tônica, essa ocupação causou uma comoção semelhante à da USP, e não nacionalizou a luta, como fez a ocupação da USP, entre outros motivos, por que essa ocupação n]ao se chocou com o governo, e manteve pautas, que ao menos na aparência tinham pautas que diziam respeito apenas à UnB(aparência, por que os problemas vividos com corrupção(ativa e passiva), a questão das fundações, etc, atingem todas as Universidades Federais, com raras exceções). Mesmo assim, a pauta democrática da ocupação da UnB, levou outras a com o mesmo método ocuparem suas reitorias, exigindo mais democracia nos processos eleitorais das suas universidades.

E nas privadas...

Ainda em 2007, vimos lutas importantes acontecendo nas universidades privadas, a fundação Santo André, exigia a sua federalização, na PUC-SP a luta contra o Redesenho Institucional, também levou a reitoria da PUC a ser ocupada.

Em 2008, o Movimento Estudantil nas universidades privadas, entra em cena novamente, dessa vez por pautas econômicas, dessa forma a UNISANTOS tam a sede da sua mantenedora ocupada, e pautas como a luta contra o aumento das mensalidades, contra as demissões dos professores, etc, a crise econômica que já começa a mexer com a vida dos brasileiros, leva estudantes a se movimentar por pautas fundamentais em momentos de crise. Além da UNISANTOS, acaba de chegar o informe d que outras 4 universidades em São Paulo e uma no Rio Grande do Sul, estão em processos de lutas, contra o aumento das mensalidades.

Em comum

Existe em curso hoje, uma tentativa de tratar o Público como Privado, assim ocorreu na UFAL, em que uma das acusações que pesam dobre o Movimento Estudantil é de invasão de propriedade... Pasmem... PRIVADA, assim ocorre com assim ocorre com as famigeradas Fundações Estatais de Direito Privado, a confusão dessa forma está instalada e estamos a um passo de reconhecer o público como privado...

Outro ponto comum, que deriva da apropriação do Público como Privado, é exatamente a reação do Estado(ou seja dos governos e instituições repressoras do Estado, Polícias, etc) e das reitorias, a repressão.

Na universidades públicas, a luta contra o Reuni, exatamente por se chocar contra o governo, foi duramente reprimida pelos governos e reitorias, somente desta forma o Reuni poderia ser "aprovado" pelas cúpulas das universidades e pelo governo, mas completamente reprovado pelos estudantes.

A criminalização do Movimento Estudantil, esteve presente em praticamente todos os processos de luta estudantil, desde 2007, na USP, foi a tropa de choque, na UFAL a polícia federal, na UFC, chegou ao cumulo de a reunião do Conselho ser feita numa base militar. Na PUC-SP e na Fundação Santo André a tropa de choque entrou em ação mais uma vez. Na UFMG assim como na UFAL, estudantes correm o risco de serem suspensos ou/e expulsos... e agora a ocupação da UNISANTOS também estão sobre ameaça, como fala um dos textos do Blog do CES, “Em seguida o major seguiu com ameaças: Disse que desocuparia com a violência que fosse necessária independentemente da intervenção da reitoria da Unisantos. Contanto, nós, estudantes, nos sentimos negociando com uma arma apontada para nossa cabeça.”

É importante colocar que a escalada de criminalização dos movimentos Sindical, Popular e Estudantil, vem ocorrendo, seja nos interditos proibitórios contra as greves, seja no caso do MP gaúcho contra o MST, seja no assassinato direto de vários e vários lutadores e lutadoras. Nesse sentido é que a CONLUTAS, juntamente com a OAB e outros movimentos sociais, estão em campanha aberta contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, o último congresso do Sindipetro AL/SE, teve como um dos centros das suas preocupações a criminalização também, e temos visto essa preocupação em vários outros sindicatos.

E a crise?

Não é só a criminalização dos movimentos que temos em comum(nós estudantes das públicas e privadas) em conjunto com o movimento sindical, e social, mas nesse momento é necessário, mais do que nunca unificar as lutas estudantis com as lutas dos trabalhadores, a aliança operário-estudantil, forjada no sangue de várias lutas na história, como o Maio Francês de 68, deve ser construída novamente, senão pagaremos um preço caríssimo pela crise.

A importante bandeira da ocupação da Unisantos, contra as demissões dos professores, é uma prova que podemos unificar nossas lutas às lutas dos trabalhadores, dessa mesma forma devemos estar presentes nas lutas operárias, dos servidores públicos, e do conjunto da classe trabalhadora, não podemos permitir que sejamos nós estudantes e trabalhadores que paguemos pela crise, não podemos permitir que o Governo doe bilhões de reais para os patrões, enquanto milhares de operários são demitidos, a verba pra educação é cortada, e para que não sejamos nós a pagar pela crise, tenho certeza que a única solução é a luta, POR QUE SÓ A LUTA MUDA A VIDA!


Fabiano Santos - é Coordenador geral do CASS/UFAl, Coordenador de Assistência do DCE/UFAL e militante do PSTU/LIT-QI


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Da crise no coração do império à crise por todo o império

Temos visto nos últimos dias, o fortalecimento cada vez maior da crise cíclica do capital, crise essa que apareceu primeiro com o “estouro da bolha de especulação imobiliária” que aconteceu nos EUA, seguida da quebra de vários bancos, e vimos a imprensa e economistas dizendo que era apenas uma crise financeira, na verdade isso foi um sintoma que agrava ainda mais a crise de superprodução que vive o Modo de Produção Capitalista.

O que acontece é que a crise financeira foi se alastrando, atravessou oceanos e chegou à Europa, e também ao Japão. As principais economias do mundo viram, vários dos principais bancos dos seus sistemas financeiros quebrar, e a sombra da recessão chegar cada vez mais forte. Os governos se mobilizaram, torraram bilhões, trilhões de dólares na tentativa de salvar seus patrões, não conseguiram, reverter o rumo da crise. Dos bancos, ela partiu de malas prontas para a Indústria, atingindo a produção.

Durante as crises as classes e setores de classes são atingidos de forma diferente, os trabalhadores costumam pagar mais pelas crises. “No entanto, também são penalizados segmentos do capital, especialmente os pequenos e médios capitalistas, os primeiros (entre os membros da classe exploradora) onerados pela crise: as falências e quebras ocorrem basicamente entre eles” (Netto; Brás, 2006). Temos visto no desenvolvimento dessa crise, um fenômeno um tanto diferente, não que os trabalhadores não sigam pagando mais pela crise, mas pelos segmentos mais afetados por ela dentro da classe exploradora. Os primeiros a falirem forem grande bancos, agora vemos a GM, maior montadora de automóveis do mundo, falida, o preço das suas ações valem o mesmo que valia logo após a 2º Guerra Mundial, quando analisamos os números desse setor da produção, vemos que estamos diante da possibilidade de uma depressão. As quedas nas vendas no setor são grandes. “A GM teve queda de 45,1 em outubro, acompanhada da Chrysler (34,2%) e Ford (30,2%). Entre janeiro e outubro, a queda geral foi de 14,5%. O prejuízo da GM no terceiro trimestre foi de 2,5 bilhões de dólares e o da Ford foi ainda maior: 2,6 bilhões”. (Almeida).

Isso tudo acontece num momento em que o mundo experimentou um grande crescimento econômico, no qual países em desenvolvimento(assim denominados países como o Brasil) se aproveitaram desse momento de expansão, acontece que as “contradições explodem no ponto mais elevado da curva. A superprodução de capital está pronta para explodir em novo período de crise no seu ponto de exuberância máxima. Exatamente no ponto em que o gigantesco desenvolvimento das forças produtivas do trabalho acumulado no decorrer do ciclo se choca estrondosamente com as estreitas relações de produção capitalistas. E tudo cai, tudo começa a cair.”(Martins)


As bolsas continuam em queda livre, por mais que de vez em quando passe uma corrente de ar quente e as faça subir um pouco, levando com que a imprensa comemore como nunca, as bolsas logo depois de pequenas elevações continuam em queda. Todas as vezes que alguns dos governos imperialistas anunciam o salvamento de um grande banco(como o recentemente anunciado, pelo governo dos EUA, salvamento do Citicorp), as bolsas e os investidores reagem com euforia, pra não dizer histeria, dando a entender para os milhões e milhões de trabalhadores que a crise está passando, quando na verdade os sintomas de que está crise esteja acabando são praticamente inexistentes. “Essas ‘recuperações’ das bolsas são como saltos convulsivos de um corpo que se aproxima da paralisia final.” (Martins)

O desemprego já começa crescer, não só nos grandes países, mas também nos chamados países emergentes, deixando pra trás mais rápido do que nunca a tese de que essa era um crise dos países ricos.

A transferências dos lucros aos países ricos, e fundamentalmente para os EUA, crescem a cada dia, “socializando” assim a crise com o resto do mundo. Grandes montadoras demitem em massa como aconteceu com os 1200 operários na Espanha, com os 1000 operários da FIAT em Minas Gerais, 1200 da Vale e com o assombroso número de 10000 mil demissões de montadoras no Brasil. Sem falar que o famoso recurso à férias coletivas já deixam quase metade dos operários brasileiros em casa, fazendo com que o fantasma do desemprego assombre os trabalhadores cada vez mais. Mostrando que em crise cíclicas como a que estamos vendo, quem paga pela crise são os trabalhadores.

No meio da crise, surge como salvador, o primeiro presidente Negro da história dos EUA. Obama surge como grande salvador, um homem negro, descendente de pai Queniano, um dos países mais pobre e miserável do mundo. Porém, o que está posto, além das ilusões que gerou em grandes camadas de explorados no mundo e o pior das expectativas geradas em grandes setores da chamada esquerda, o que está posto é que Obama é apenas uma nova cara, um novo rosto, com aparência mais amigável, uma necessidade vital, para a continuidade do domínio imperialista estadunidense no mundo, afinal, todo o sentimento antiimperialista “conquistado” pelos EUA, durante a Era-Bush, começa a se esvair pelo ralo.

A política adotada por Obama, vai continuar sendo para que os custos da Crise, sejam pagos cada vez mais pelos trabalhadores, homens e mulheres, negros e negras, que em épocas de crescimento tem o produto de seu trabalho expropriado pelos seus patrões e que em épocas de crise são os primeiros a pagarem, o preço da superprodução capitalista e da destruição de forças produtivas paras que os capitalistas se salvem da crise.

O fato é que muito longe de ser apenas "uma marolinha", como disse o presidente Lula, o Brasil já começa a sofrer os efeitos da crise, e assim vemos a FIAT, a Vale, demitirem mais de mil operários nesta semana, assim como vemos quase 50% dos operários em casa em Férias Coletivas. Os EUA, não só vai dividir a crise com o resto do mundo, como já está fazendo isso

Assim sendo para reverter esse rumo somente a classe operária pode oferecer uma alternativa para humanidade, na esteira da crise é que as contradições do capitalismo podem ser vislumbrados a olhos nus, e a possibilidade da revolução se coloca à nossa frente. Que os ricos paguem pela crise!

Bibliografia

1. Almeida, Eduardo. A Quase falência da industria automobilística dos EUA. Jornal Opinião Socialista. Ano XII – Edição 362
2. Martins, José. Soberbo Crash Americano. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 949.
3. Martins, José. Obama: A realidade fala mais alto que o espetáculo. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 950
4. Martins, José. A Situação Da Indústria Mundial Se Agrava. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 951
5. Martins, José. Loucuras Capitalistas Nos Limites Da Grande Derrocada. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 952
6. Netto, José Paulo; Brás, Marcelo. Economia Política – Uma Introdução Crítica. São Paulo: Cortez, 2006.


Fabiano Santos - Coordenador geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Zumbi Vive?

No sábado, dia 15 de novembro, Maceió foi brindada com mais um evento, que pelo título, deveria ser mais uma manifestação contra o racismo, próximo do dia da consciência negra, lembrava Zumbi, aquele mesmo dos Palmares, que na sua árdua e grande luta pela libertação, nos deixou um exemplo para ser vivido até os dias de hoje.

O Evento que entre outras atrações contou com a banda, considerada por muitos a melhor banda de Reggae da cidade, a Vibrações, arrastou multidões, o espaço lotou, e aí os problemas começaram a acontecer.

Um espaço que era pra celebrar um dos ícones da luta pela libertação dos negros e negras no nosso país, na verdade mostrou ainda mais, não só o descaso, mas todo o preconceito racial que ainda existe em Alagoas e no Brasil.

A agressão, por parte da segurança do evento, a uma mulher negra, pela simples desconfiança de que essa não tinha pago o ingresso (quando na verdade tinha pago), mostra não só o despreparo das equipes de segurança, que ao contrário de fazer o que se propõe (só pra lembrar: SEGURANÇA) traz mais insegurança e repressão às pessoas que se dispõem a ir em eventos como esse, na verdade revela muito mais.

O Estado!

Nunca é demais lembrar, as idéias dominantes de uma época são na verdade a idéias de sua classe dominante(Marx). Por que falar de classes e Estado num texto sobre um evento como o Zumbi Vive?!?

Vejamos, a nossa aventureira (a final querer entrar no Iate Clube Pajuçara naquele dia era realmente uma aventura) enfrenta uma fila enorme pra comprar o seu ingresso, dois passos depois que entrega o ingresso na portaria é agredida com um soco que deforma o seu lábio inferior, seguido de uma gravata (ou mata leão como queiram), e olha só, por coincidência, ela é negra?!? Infelizmente esta criatura que vos escreve não acredita em coincidências.

A “simpática” senhora que agrediu nossa aventureira deu a entender que era Policial, olha do que estamos falando, da Polícia, um dos principais instrumentos de repressão do Estado, Estado esse que reflete todas as idéias de sua classe dominante, e olha o tamanho do problema com que agora nos enfrentamos...

Uma policial, que não poderia estar fazendo um “bico” de segurança, e por tanto não estava atuando enquanto policial, acusa qualquer pessoa que dela discorda de desacato, mesmo sem as pessoas saberem que estavam diante de uma autoridade (afinal ela não estava fardada com deveria, estava fazendo “bico”) e se acha no direito de agredir as pessoas por isso.

A pergunta que fica é, se a nossa aventureira não fosse negra estaríamos tentando entender os fatos que aconteceram? Creio que não, ao contrário, tenho certeza absoluta que se nossa aventureira fosse branca, loira e aparentasse ter muito dinheiro isso não aconteceria, e isso mostra todo o despreparo com que a polícia (não custa repetir, aparato repressor do estado) trata os nossos negros e as nossas negras e isso não acontece à toa.

O despreparo está a serviço do que pensa o Estado e a sua classe dominante, esses fatos aconteceram por que na cabeça da polícia (e por tanto daqueles e daquelas que faziam “bico”) ali estavam reunidos, ou melhor dizendo amontoados, quase a totalidade dos maloqueiros, maconheiros e tudo que eles pensam que não vale a pena na sociedade; amontoado esse que nossa aventureira apenas ajudava a aumentar, então na dúvida se ela pagou ou não, dá-lhe porrada, nada de diálogo, nada de perguntar(pergunta aqui, no sentido de diálogo) primeiro, é a velha máxima da nossa maravilhosa polícia, é negro, então primeiro bate depois pergunta, e tudo fica por isso mesmo, por quê? Porque esses policiais são protegidos pelo Estado e a gente vai entrar numa roda viva aqui caso tente explicar todo o círculo vicioso.

Zumbi Vive?

A pergunta feita no título permanece. Zumbi vive, e vai viver sempre que alguém se incomodar com o racismo e tentar dar continuidade à sua luta, pela verdadeira liberdade dos negros e negras.

Cada vez que as pessoas se indignarem com cenas como esta Zumbi vai estar mais vivo do que nunca, mas quando ele servir apenas por interesse mercadológico... ele vai estar cada dia sepultado mais fundo na sua tumba.
Fabiano Santos
PS: esse é o primeiro texto corrigido do blog e esse trampo se deve a paciência da jovem Cacau, minha brodinha de faculdade, já que este que vos escreve não tem nenhuma paciência para talk tarefa.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

25 anos sem Ana Cristina Cesar

"olho muito tempo o corpo de um poema"

olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas


Um Beijo

que tivesse um blue.
Isto é imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço que mergulha
surdamente no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor


A Ponto de Partir

A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis.


O Homem Público N. 1 (Antologia)

Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita
que vai sendo cortada
deixando uma sombra
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo
ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura venenosa
de tão funda.



Sem título

é muito claro
amor
bateu
para ficar
nesta varanda descoberta
a anoitecer sobre a cidade
em construção
sobre a pequena constrição
no teu peito
angústia de felicidade
luzes de automóveis
riscando o tempo
canteiros de obras
em repouso
recuo súbito da trama.


Sem título

Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d’água
a espera do café.



Ana Cristina César: íncone da poesia "marginal", se é que na poesia marginal existem íncones.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Homenagem aos 100 anos do nascimento de Cartola

Samba do Operário

Se o operário soubesse
Reconhecer o valor que tem seu dia
Por certo que valeria
Duas vezes mais o seu salário

Mas como não quer reconhecer
É ele escravo sem ser
De qualquer usurário

Abafa-se a voz do oprimido
Com a dor e o gemido
Não se pode desabafar

Trabalho feito por minha mão
Só encontrei exploração
Em todo lugar


Cartola - Gênio do Samba, fundador da mangueira e compositor de várias das mais belas músicas do cancioneiro da música popular brasileira

domingo, 14 de setembro de 2008

A árvore do conhecimento

Não sei...
Ou melhor penso que sei...
No princípio era o verbo...
e o verbo queria proibir o conhecimento
para nós pobres seres humanos...

Que verbo é esse que é dono de tudo?
Que verbo é esse que é dono de todos?

Bem-aventurada a mulher
que comeu do conhecimento...
aqui estamos graças a ela...

Fabiano

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Perguntas De Um Operário Que Lê.

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas.

B. Brecht


Esse Desemprego!

Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.
Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!

B. Brecht

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O novo homem

O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito
como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arrudaindo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório,
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como flor
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
"Nove meses, eu?
Nem nove minutos."
Quem já conheceu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elideo sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem-posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio
e, per omnia secula,
livre, papagaio,
sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 4 de maio de 2008

Cantada

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana

Ferreira Gullar

quarta-feira, 30 de abril de 2008

1º de Maio

Bom, amanhã é um dia muito especial, o 1ºde maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores,

não postarei nada hoje, creio que não terei como postar nada amanhã também... mas depois farei alguns comentários sobre as Festas, promovidas pela CUT, pela Força(e por que não Farsa) Sindical, etc...

só termino esse recadinho, dizendo 1º de maio, não é data de festa, é de luta!!!

Saudações Socialistas a todos....

Fabiano
 
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