
A partir do final de 2007, vivemos uma crise econômica, que aumenta o seu potencial destrutivo e portanto agravada pela crise financeira mundial.
O Governo Lula, que sempre seguiu a cartilha do mercado e de suas agências e organismos, disse que a economia brasileira estava preparada para a crise, que a crise era apenas "uma marolinha", representantes do governo e do PT, dizem que o Brasil é vanguarda na economia, e que é dos países em desenvolvimento que saíra a solução pra crise, ou seja, para o PT e para o governo estamos vivendo uma grande festa da economia, estamos no rumo certo...
Ao contrário dessas fábulas fantasiosas(me desculpem mas não resisti à sutil redundância), com o passar dos dias temos visto o Brasil começar a pagar o seu preço pela crise. Isso já era de se esperar, afinal essa crise não é apenas uma crise de confiança, financeira, ou qualquer coisa que o valha, é uma velha crise cíclica do capital, a famosa crise de superprodução, e me parece que os detentores da maior economia do mundo, não iriam querer pagar sozinhos pela crise, nesse sentido os “EUA, como principal economia do mundo, tem regalias que ajudam a enfrentar a crise. Por exemplo, detém o controle da moeda mundial, o dólar, que lhes dá a possibilidade de transferir parte do prejuízo para o mundo.”(Godeiro)*
Dessa forma vemos cada vez mais dólares saindo das filiais direto para a matriz, e os EUA “socializando” os prejuízos com a Europa e o resto do mundo, obviamente que o mundo globalizado não poderia deixar de globalizar com os países pobres e em desenvolvimento seus prejuízos.
Assim vimos na última semana a FIAT demitir 1000, a Vale 1300, e quase metade dos metalúrgicos entrarem em férias coletivas. O governo continua com a festa dos patrões, depois de ter liberado 180 bilhões para os banqueiros, de ter vetado os 2 bilhões da educação, segue liberando bilhões para montadoras, enquanto isso as mesmas seguem mandando seus lucros para a matriz, ou seja o governo financia o desemprego dos operários brasileiros.
Somente a classe operária pode nos oferecer uma alternativa!
A classe operária é a única classe que pode nos oferecer uma alternativa verdadeira à crise que vivenciamos na atualidade. Somente a movimentação dessa classe, pode fazer com que os ricos paguem por essa crise.
A maior parte da classe ainda confia no governo Lula, ao passo que setores do operariado brasileiro, começam a sentir na pele que a crise chegou. O desemprego deixou de ser apenas uma expectativa, para ser uma realidade, diante disso, o capital vai começar a desferir golpes e mais golpes na classe, dos quais o primeiro(e dos mais poderosos) foi a eleição de um ex-operário à presidência da república, causando ilusões gigantescas à imensa massa de explorados no Brasil.
Ao passo que, algumas importantes iniciativas começam a ser desenvolvidas, do lado de cá da trincheira na luta de classes, como o congresso internacional dos mineiros, convocado pela COB, e realizado em Huanuni, na Bolívia,
ver site do ELAC ou a campanha contra o desemprego posta em prática pela
CONLUTAS, infelizmente as outras centrais sindicais não se movem e levam os trabalhadores para uma derrota sem precedentes.
Aliança Operário-estudantilNós do movimento estudantil não podemos ficar parados apenas observando os trabalhadores e trabalhadoras perderem seus empregos, verem os direitos reduzidos a pó. Desde 2007 temos travado duras batalhas contra os governos e reitorias. A classe operária, começa a sentir o peso da crise cair nas suas costas, por outro lado, os estudantes iniciam algumas mobilizações, nas pagas contra o aumento da mensalidade, nas públicas a luta contra o Reuni continua.
É fundamental para que não sejamos nós estudantes e trabalhadores que paguemos pela crise, que unifiquemos as nossas forças. Temos que nos somar à luta contra o desemprego, contra a retirada de direitos, pois a reforma trabalhista já aparece na ordem do dia de novo, e olhando a história, essa é a principal forma de os capitalistas superarem suas crises, jogar nas costas da classe trabalhadora seus prejuízos.
Não podemos olhar pra frente e continuar encastelados nas nossas universidades como se nada tivesse ocorrendo, chegou a hora, a maior crise econômica desde 1929, se continuarmos isolados no nosso mundo acumularemos derrotas, e o casse operária sofrerá um revéz que nos arrastará junto com ele.
Devemos estar presentes em cada ato, em cada assembléia, em cada manifestação, devemos convidar a classe operária para as nossas manifestações, marchar lado a lado, ombro a ombro com o proletariado, para fortalecer a luta por uma alternativa de verdade, e essa alternativa não pode ser concebida nos marcos da sociedade capitalista, e isso somente nos aliando fortemente à classe operária podemos construir.
Devemos olhar pra trás e seguir os variados exemplos como o Maio Francês de 1968, onde os estudantes batiam às portas das fabricas operárias em busca do seu apoio, e ali se construiu um dos mais belos momentos da luta de classes mundial!
Fabiano Santos – é Coordenador Geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU
*Godeiro, Nazareno. A iminente crise dos países 'emergentes' aprofundará a recessão mundial. Opinião Socialista. Ano XII - nº 362