Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A Escravidão*

Se Deus é quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.
Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em seu delírio inefável,
Praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!...

Tobias Barreto - Jurista, filósofo e poeta sergipano do Século XIX, hoje da o nome a sua cidade natal(à época chamada de Campos do Rio Real)

* Poema do Livro Dias e Noites

A imprensa e as mobilizações na Grécia

Aqui estou de novo, e peço desculpas por que mais uma
vez vou tratar de alguma coisa relativa à crise econômica, mas dessa vez pra tentar desfazer alguns entendimentos que a Imprensa tenta levar sobre os últimos acontecimentos, ocorridos do outro lado do Atlântico, mas precisamente na Grécia.

Esse país presencia sete dias seguidos de manifestações, com uma greve geral que paralisou todo o país por 24 horas, e a imprensa quer nos levar crer que tudo isso acontece por conta da morte de um estudante a partir de um tiro desferido pela polícia, não que a morte de uma pessoa seja um assunto de menor importância, mas o fato é que manifestações tão massivas nunca existiram por conta da morte de um pessoa, talvez isso tenha sido a gota d’água que faltava, ou a faísca que gerou o incêndio, mas o fato é que pra que isso acontecesse, ou as condições postas para que o incêndio já existiam ou o copo já estava cheio e com a gota que faltava... Transbordou.

O mundo está sacudido pela crise, todos os países em maior ou menor medida estão sendo afetados pela crise, do Japão aos EUA, da China ao Brasil, da África à União Européia, isso não obviamente não é diferente com a Grécia.

O Jornal da Globo, faz uma chamada dizendo, “Grécia atravessa sete dias de protestos consecutivos por conta de morte de estudante.”, na verdade não só a Globo, mas o conjunto da Imprensa burguesa nacional e internacional, tentam explicar isso a partir da morte de um estudante, e não leva em consideração uma coisa, esse estudante foi morto em uma manifestação, que obviamente ocorria antes da morte dele.

A Espanha, Itália e França já tinham presenciado manifestações por conta da crise, e a Grécia desde que aderiu à União Européia, amarga índices de desenvolvimento social cada vez menores, a taxa de desemprego crescente, e os baixos salários, são cada vez mais pressionados por conta da crise, a juventude até os 30 anos de idade ganham salários que não passam dos 700 Euros, que para a realidade européia é um salário de fome.

Aí está o verdadeiro motivo das manifestações que sacode a Europa e nesse momento a Grécia, e aí está também a lição que os europeus estão nos dando de como lidar com a Crise.

Na Espanha os operários da Nissan fizeram grandes manifestações, na Itália, os estudantes e professores conseguiram mobilizar o conjunto da sociedade contra a reforma educacional e o corte de vagas na educação, e por outro lado a doação de verbas para as empresas promovida pelo governo Berlusconi, esse exemplo chega à América a partir dos EUA, primeiro com a greve vitoriosa de mais de 50 dias dos operários da Boing, e agora com a ocupação da fabrica da Republic Windows and Doors, em Chicago, que já dura 5 dias após a sua falência.

Esse é o caminho para lidar contra a crise e o desemprego, operários e estudantes do mundo inteiro se mobilizam...

Mais informações no portal do PSTU

Fabiano Santos - Coordenador Geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU/LIT-QI

Mais um capítulo... lamentável da democracia burguesa!

Ontem, logo cedo, fui acordado por um telefonema de outro estado, às 6:30 da manhã. Naquele estágio em que a pessoa não sabe se esta dormindo ou acordado, olhei pro telefone e, diferente do que eu costumo fazer nessas ocasiões, resolvi atender ao telefone...

- Fabiano, a Tropa chegou por aqui!(uma voz com um pouco de aflição)
(eu ainda mais dormindo que acordado) - Putz!
- Manda e-mail pras listas nacionais!
-Minha casa ta sem energia, mas eu vou tentar ligar por povo e ver o que eu posso fazer!
E a partir disso eu não mais consegui dormir, pensando em como estava se dando as coisas na ocupação, ou na verdade nesse momento na desocupação da Unisantos.

A Tropa chegou, e tirou à força os estudantes que se encontravam na mantenedora, utilizando alguns instrumentos, que eu nunca vi a PM (ou qualquer setor dela) utilizar contra bandidos, como por exemplo, gás de pimenta, gás lacrimogêneo, instrumentos típicos da repressão à Movimentos(na linguagem policial, os famosos Baderneiros), além disso levaram cerca de 25 estudantes pro 7º DP..

O uso da força policial, e o uso de instrumentos próprios pra determinadas situações mostram de que lado está a nossa linda democracia, exatamente do lado dos burgueses, dos patrões, dos tubarões do ensino (no caso a Igreja Católica), enfim, daqueles que naquela pirâmidezinha social que estudamos lá na 4º série, estão localizados mais exatamente no topo.

Esse episódio, na verdade é mais um capítulo da repressão crescente aos movimentos sociais. Seja o governo federal, seja os governos estaduais, ambos reprimem duramente os Movimentos sindical, popular e estudantil... Seja com a PM arrastando estudantes, seja demitindo lutadores e lutadoras, seja acobertando as milícias armadas dos grandes latifundiários no campo, em todas as situações o que vemos na verdade é o governo agindo diretamente ou se omitindo de determinadas situações e por tanto sendo conivente com a repressão hoje instaurada no dito Estado Democrático de Direito (como já falei em algum lugar, prefiro chamar isso de Ditadura da burguesia sobre os trabalhadores)

Deixo aqui a minha solidariedade aos estudantes da Unisantos, além do conjunto de lutadores e lutadoras que através dessa ação consciente do Estado burguês são reprimidos nas lutas e no cotidiano!

A luta não para na repressão, ao contrário, segue com laço mais forte, temperado no enfretamento, não só com a Igreja Católica(no caso da Unisantos), mas diretamente contra o Estado.
Visitem: http://www.blogdoces.org/

Fabiano Santos – é Coordenador geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência do DCE/UFAL, e militante do PSTU/LIT-QI

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Sobre mudanças... São só um teste

Então gente quem ta visitando agora o Poesia & Luta, eu to fazendo uns testes enquanto eu estou na UFAL, quando chegar em casa é que irei decidir se permance como está, se volta ao normal, ou se muda tudo de vez...

Só pra saber mudou as cores, tem um contador, um link de inscrição de RSS, e os marcadores, para facilitar as buscas no blog por tema! Aos poucos eu vou aprendendo a mecher nas novas tecnologias, rs e aperfeiçoando o blog, pra isso é preciso fazer testes, errar, acertar, mudar, voltar, avançar, enfim...rsrs

enquanto isso, leitores e leitoras, estamos abertos a sugestões, rs

Há braços!!!

Fabiano

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dedução

Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

Vladimir Mayakovsky

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sobre a crise economica, a Classe Operária e o Movimento Estudantil

A partir do final de 2007, vivemos uma crise econômica, que aumenta o seu potencial destrutivo e portanto agravada pela crise financeira mundial.

O Governo Lula, que sempre seguiu a cartilha do mercado e de suas agências e organismos, disse que a economia brasileira estava preparada para a crise, que a crise era apenas "uma marolinha", representantes do governo e do PT, dizem que o Brasil é vanguarda na economia, e que é dos países em desenvolvimento que saíra a solução pra crise, ou seja, para o PT e para o governo estamos vivendo uma grande festa da economia, estamos no rumo certo...

Ao contrário dessas fábulas fantasiosas(me desculpem mas não resisti à sutil redundância), com o passar dos dias temos visto o Brasil começar a pagar o seu preço pela crise. Isso já era de se esperar, afinal essa crise não é apenas uma crise de confiança, financeira, ou qualquer coisa que o valha, é uma velha crise cíclica do capital, a famosa crise de superprodução, e me parece que os detentores da maior economia do mundo, não iriam querer pagar sozinhos pela crise, nesse sentido os “EUA, como principal economia do mundo, tem regalias que ajudam a enfrentar a crise. Por exemplo, detém o controle da moeda mundial, o dólar, que lhes dá a possibilidade de transferir parte do prejuízo para o mundo.”(Godeiro)*

Dessa forma vemos cada vez mais dólares saindo das filiais direto para a matriz, e os EUA “socializando” os prejuízos com a Europa e o resto do mundo, obviamente que o mundo globalizado não poderia deixar de globalizar com os países pobres e em desenvolvimento seus prejuízos.

Assim vimos na última semana a FIAT demitir 1000, a Vale 1300, e quase metade dos metalúrgicos entrarem em férias coletivas. O governo continua com a festa dos patrões, depois de ter liberado 180 bilhões para os banqueiros, de ter vetado os 2 bilhões da educação, segue liberando bilhões para montadoras, enquanto isso as mesmas seguem mandando seus lucros para a matriz, ou seja o governo financia o desemprego dos operários brasileiros.

Somente a classe operária pode nos oferecer uma alternativa!

A classe operária é a única classe que pode nos oferecer uma alternativa verdadeira à crise que vivenciamos na atualidade. Somente a movimentação dessa classe, pode fazer com que os ricos paguem por essa crise.

A maior parte da classe ainda confia no governo Lula, ao passo que setores do operariado brasileiro, começam a sentir na pele que a crise chegou. O desemprego deixou de ser apenas uma expectativa, para ser uma realidade, diante disso, o capital vai começar a desferir golpes e mais golpes na classe, dos quais o primeiro(e dos mais poderosos) foi a eleição de um ex-operário à presidência da república, causando ilusões gigantescas à imensa massa de explorados no Brasil.

Ao passo que, algumas importantes iniciativas começam a ser desenvolvidas, do lado de cá da trincheira na luta de classes, como o congresso internacional dos mineiros, convocado pela COB, e realizado em Huanuni, na Bolívia, ver site do ELAC ou a campanha contra o desemprego posta em prática pela CONLUTAS, infelizmente as outras centrais sindicais não se movem e levam os trabalhadores para uma derrota sem precedentes.

Aliança Operário-estudantil

Nós do movimento estudantil não podemos ficar parados apenas observando os trabalhadores e trabalhadoras perderem seus empregos, verem os direitos reduzidos a pó. Desde 2007 temos travado duras batalhas contra os governos e reitorias. A classe operária, começa a sentir o peso da crise cair nas suas costas, por outro lado, os estudantes iniciam algumas mobilizações, nas pagas contra o aumento da mensalidade, nas públicas a luta contra o Reuni continua.

É fundamental para que não sejamos nós estudantes e trabalhadores que paguemos pela crise, que unifiquemos as nossas forças. Temos que nos somar à luta contra o desemprego, contra a retirada de direitos, pois a reforma trabalhista já aparece na ordem do dia de novo, e olhando a história, essa é a principal forma de os capitalistas superarem suas crises, jogar nas costas da classe trabalhadora seus prejuízos.

Não podemos olhar pra frente e continuar encastelados nas nossas universidades como se nada tivesse ocorrendo, chegou a hora, a maior crise econômica desde 1929, se continuarmos isolados no nosso mundo acumularemos derrotas, e o casse operária sofrerá um revéz que nos arrastará junto com ele.

Devemos estar presentes em cada ato, em cada assembléia, em cada manifestação, devemos convidar a classe operária para as nossas manifestações, marchar lado a lado, ombro a ombro com o proletariado, para fortalecer a luta por uma alternativa de verdade, e essa alternativa não pode ser concebida nos marcos da sociedade capitalista, e isso somente nos aliando fortemente à classe operária podemos construir.

Devemos olhar pra trás e seguir os variados exemplos como o Maio Francês de 1968, onde os estudantes batiam às portas das fabricas operárias em busca do seu apoio, e ali se construiu um dos mais belos momentos da luta de classes mundial!

Fabiano Santos – é Coordenador Geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU

*Godeiro, Nazareno. A iminente crise dos países 'emergentes' aprofundará a recessão mundial. Opinião Socialista. Ano XII - nº 362

 
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