Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

domingo, 7 de dezembro de 2008

Sobre a crise economica, a Classe Operária e o Movimento Estudantil

A partir do final de 2007, vivemos uma crise econômica, que aumenta o seu potencial destrutivo e portanto agravada pela crise financeira mundial.

O Governo Lula, que sempre seguiu a cartilha do mercado e de suas agências e organismos, disse que a economia brasileira estava preparada para a crise, que a crise era apenas "uma marolinha", representantes do governo e do PT, dizem que o Brasil é vanguarda na economia, e que é dos países em desenvolvimento que saíra a solução pra crise, ou seja, para o PT e para o governo estamos vivendo uma grande festa da economia, estamos no rumo certo...

Ao contrário dessas fábulas fantasiosas(me desculpem mas não resisti à sutil redundância), com o passar dos dias temos visto o Brasil começar a pagar o seu preço pela crise. Isso já era de se esperar, afinal essa crise não é apenas uma crise de confiança, financeira, ou qualquer coisa que o valha, é uma velha crise cíclica do capital, a famosa crise de superprodução, e me parece que os detentores da maior economia do mundo, não iriam querer pagar sozinhos pela crise, nesse sentido os “EUA, como principal economia do mundo, tem regalias que ajudam a enfrentar a crise. Por exemplo, detém o controle da moeda mundial, o dólar, que lhes dá a possibilidade de transferir parte do prejuízo para o mundo.”(Godeiro)*

Dessa forma vemos cada vez mais dólares saindo das filiais direto para a matriz, e os EUA “socializando” os prejuízos com a Europa e o resto do mundo, obviamente que o mundo globalizado não poderia deixar de globalizar com os países pobres e em desenvolvimento seus prejuízos.

Assim vimos na última semana a FIAT demitir 1000, a Vale 1300, e quase metade dos metalúrgicos entrarem em férias coletivas. O governo continua com a festa dos patrões, depois de ter liberado 180 bilhões para os banqueiros, de ter vetado os 2 bilhões da educação, segue liberando bilhões para montadoras, enquanto isso as mesmas seguem mandando seus lucros para a matriz, ou seja o governo financia o desemprego dos operários brasileiros.

Somente a classe operária pode nos oferecer uma alternativa!

A classe operária é a única classe que pode nos oferecer uma alternativa verdadeira à crise que vivenciamos na atualidade. Somente a movimentação dessa classe, pode fazer com que os ricos paguem por essa crise.

A maior parte da classe ainda confia no governo Lula, ao passo que setores do operariado brasileiro, começam a sentir na pele que a crise chegou. O desemprego deixou de ser apenas uma expectativa, para ser uma realidade, diante disso, o capital vai começar a desferir golpes e mais golpes na classe, dos quais o primeiro(e dos mais poderosos) foi a eleição de um ex-operário à presidência da república, causando ilusões gigantescas à imensa massa de explorados no Brasil.

Ao passo que, algumas importantes iniciativas começam a ser desenvolvidas, do lado de cá da trincheira na luta de classes, como o congresso internacional dos mineiros, convocado pela COB, e realizado em Huanuni, na Bolívia, ver site do ELAC ou a campanha contra o desemprego posta em prática pela CONLUTAS, infelizmente as outras centrais sindicais não se movem e levam os trabalhadores para uma derrota sem precedentes.

Aliança Operário-estudantil

Nós do movimento estudantil não podemos ficar parados apenas observando os trabalhadores e trabalhadoras perderem seus empregos, verem os direitos reduzidos a pó. Desde 2007 temos travado duras batalhas contra os governos e reitorias. A classe operária, começa a sentir o peso da crise cair nas suas costas, por outro lado, os estudantes iniciam algumas mobilizações, nas pagas contra o aumento da mensalidade, nas públicas a luta contra o Reuni continua.

É fundamental para que não sejamos nós estudantes e trabalhadores que paguemos pela crise, que unifiquemos as nossas forças. Temos que nos somar à luta contra o desemprego, contra a retirada de direitos, pois a reforma trabalhista já aparece na ordem do dia de novo, e olhando a história, essa é a principal forma de os capitalistas superarem suas crises, jogar nas costas da classe trabalhadora seus prejuízos.

Não podemos olhar pra frente e continuar encastelados nas nossas universidades como se nada tivesse ocorrendo, chegou a hora, a maior crise econômica desde 1929, se continuarmos isolados no nosso mundo acumularemos derrotas, e o casse operária sofrerá um revéz que nos arrastará junto com ele.

Devemos estar presentes em cada ato, em cada assembléia, em cada manifestação, devemos convidar a classe operária para as nossas manifestações, marchar lado a lado, ombro a ombro com o proletariado, para fortalecer a luta por uma alternativa de verdade, e essa alternativa não pode ser concebida nos marcos da sociedade capitalista, e isso somente nos aliando fortemente à classe operária podemos construir.

Devemos olhar pra trás e seguir os variados exemplos como o Maio Francês de 1968, onde os estudantes batiam às portas das fabricas operárias em busca do seu apoio, e ali se construiu um dos mais belos momentos da luta de classes mundial!

Fabiano Santos – é Coordenador Geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU

*Godeiro, Nazareno. A iminente crise dos países 'emergentes' aprofundará a recessão mundial. Opinião Socialista. Ano XII - nº 362

100 em três dias...


gente desde que eu coloquei um contador no Blog, tive uma feliz surpresa, nesse momento estamos no 94º acesso, o que significa que podemos chegar a 100 acessos em três dias, muito sinceramente nunca imaginei que o blog tivesse mais de 30 visitas por dia, o que, pelo carater do blog, e pelo pouco que eu costumo atualizar considero muito. Me faz crer que esse blog aos poucos vai se tornando um pequeno instrumento na luta por uma sociedade igualitária e socialista.

Muito obrigado pelas visitas,

Abraços

Fabiano

Sobre a Crise Econômica, a Luta Estudantil, Ocupações, e Criminalização dos Movimentos Sociais.

A Luta nas públicas...

Desde 2007 temos visto uma série de mobilizações estudantis, a ocupação da USP deu início a uma série sem precedentes na história recente do Movimento Estudantil brasileiro, ainda no primeiro semestre ocorre uma série de ocupações, como na UFAL, UEFS, e em outras universidades. A própria ocupação da USP, também foi seguida de ocupação e greve nas demais estaduais paulistas, os estudantes começavam a se libertar do burocratismo em que havia se metido desde o início dos anos 90, por conta dos rumos que a UNE tomava desde lá.

O segundo semestre de 2007, inicia, com novas ocupações, dessa vez as ocupações foram mais políticas, se chocaram diretamente com o governo Lula, e as instituições como a UNE, braço direito do governo no Movimento Estudantil, assim como com instituições do Próprio Estado Burguês, como a Polícia Federal, Militar, o Poder Judiciário, etc. A luta contra o Reuni, reafirmou métodos de luta radicalizados, e o novo momento do ME, antes muito confinados em reuniões que nadavam em nada, a experiência do primeiro semestre mostrou que só se muda algo, com muita luta, que pese a derrota parcial que tivemos, na luta contra o REUNI, mas isso por conta de alguns elementos que mais em baixo trataremos.

2008 entrou, e a luta continuou, a ocupação da UnB, contra a corrupção da reitoria, a denúncia direta do reitor, e a luta contra as fundações, deram a tônica, essa ocupação causou uma comoção semelhante à da USP, e não nacionalizou a luta, como fez a ocupação da USP, entre outros motivos, por que essa ocupação n]ao se chocou com o governo, e manteve pautas, que ao menos na aparência tinham pautas que diziam respeito apenas à UnB(aparência, por que os problemas vividos com corrupção(ativa e passiva), a questão das fundações, etc, atingem todas as Universidades Federais, com raras exceções). Mesmo assim, a pauta democrática da ocupação da UnB, levou outras a com o mesmo método ocuparem suas reitorias, exigindo mais democracia nos processos eleitorais das suas universidades.

E nas privadas...

Ainda em 2007, vimos lutas importantes acontecendo nas universidades privadas, a fundação Santo André, exigia a sua federalização, na PUC-SP a luta contra o Redesenho Institucional, também levou a reitoria da PUC a ser ocupada.

Em 2008, o Movimento Estudantil nas universidades privadas, entra em cena novamente, dessa vez por pautas econômicas, dessa forma a UNISANTOS tam a sede da sua mantenedora ocupada, e pautas como a luta contra o aumento das mensalidades, contra as demissões dos professores, etc, a crise econômica que já começa a mexer com a vida dos brasileiros, leva estudantes a se movimentar por pautas fundamentais em momentos de crise. Além da UNISANTOS, acaba de chegar o informe d que outras 4 universidades em São Paulo e uma no Rio Grande do Sul, estão em processos de lutas, contra o aumento das mensalidades.

Em comum

Existe em curso hoje, uma tentativa de tratar o Público como Privado, assim ocorreu na UFAL, em que uma das acusações que pesam dobre o Movimento Estudantil é de invasão de propriedade... Pasmem... PRIVADA, assim ocorre com assim ocorre com as famigeradas Fundações Estatais de Direito Privado, a confusão dessa forma está instalada e estamos a um passo de reconhecer o público como privado...

Outro ponto comum, que deriva da apropriação do Público como Privado, é exatamente a reação do Estado(ou seja dos governos e instituições repressoras do Estado, Polícias, etc) e das reitorias, a repressão.

Na universidades públicas, a luta contra o Reuni, exatamente por se chocar contra o governo, foi duramente reprimida pelos governos e reitorias, somente desta forma o Reuni poderia ser "aprovado" pelas cúpulas das universidades e pelo governo, mas completamente reprovado pelos estudantes.

A criminalização do Movimento Estudantil, esteve presente em praticamente todos os processos de luta estudantil, desde 2007, na USP, foi a tropa de choque, na UFAL a polícia federal, na UFC, chegou ao cumulo de a reunião do Conselho ser feita numa base militar. Na PUC-SP e na Fundação Santo André a tropa de choque entrou em ação mais uma vez. Na UFMG assim como na UFAL, estudantes correm o risco de serem suspensos ou/e expulsos... e agora a ocupação da UNISANTOS também estão sobre ameaça, como fala um dos textos do Blog do CES, “Em seguida o major seguiu com ameaças: Disse que desocuparia com a violência que fosse necessária independentemente da intervenção da reitoria da Unisantos. Contanto, nós, estudantes, nos sentimos negociando com uma arma apontada para nossa cabeça.”

É importante colocar que a escalada de criminalização dos movimentos Sindical, Popular e Estudantil, vem ocorrendo, seja nos interditos proibitórios contra as greves, seja no caso do MP gaúcho contra o MST, seja no assassinato direto de vários e vários lutadores e lutadoras. Nesse sentido é que a CONLUTAS, juntamente com a OAB e outros movimentos sociais, estão em campanha aberta contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, o último congresso do Sindipetro AL/SE, teve como um dos centros das suas preocupações a criminalização também, e temos visto essa preocupação em vários outros sindicatos.

E a crise?

Não é só a criminalização dos movimentos que temos em comum(nós estudantes das públicas e privadas) em conjunto com o movimento sindical, e social, mas nesse momento é necessário, mais do que nunca unificar as lutas estudantis com as lutas dos trabalhadores, a aliança operário-estudantil, forjada no sangue de várias lutas na história, como o Maio Francês de 68, deve ser construída novamente, senão pagaremos um preço caríssimo pela crise.

A importante bandeira da ocupação da Unisantos, contra as demissões dos professores, é uma prova que podemos unificar nossas lutas às lutas dos trabalhadores, dessa mesma forma devemos estar presentes nas lutas operárias, dos servidores públicos, e do conjunto da classe trabalhadora, não podemos permitir que sejamos nós estudantes e trabalhadores que paguemos pela crise, não podemos permitir que o Governo doe bilhões de reais para os patrões, enquanto milhares de operários são demitidos, a verba pra educação é cortada, e para que não sejamos nós a pagar pela crise, tenho certeza que a única solução é a luta, POR QUE SÓ A LUTA MUDA A VIDA!


Fabiano Santos - é Coordenador geral do CASS/UFAl, Coordenador de Assistência do DCE/UFAL e militante do PSTU/LIT-QI


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Da crise no coração do império à crise por todo o império

Temos visto nos últimos dias, o fortalecimento cada vez maior da crise cíclica do capital, crise essa que apareceu primeiro com o “estouro da bolha de especulação imobiliária” que aconteceu nos EUA, seguida da quebra de vários bancos, e vimos a imprensa e economistas dizendo que era apenas uma crise financeira, na verdade isso foi um sintoma que agrava ainda mais a crise de superprodução que vive o Modo de Produção Capitalista.

O que acontece é que a crise financeira foi se alastrando, atravessou oceanos e chegou à Europa, e também ao Japão. As principais economias do mundo viram, vários dos principais bancos dos seus sistemas financeiros quebrar, e a sombra da recessão chegar cada vez mais forte. Os governos se mobilizaram, torraram bilhões, trilhões de dólares na tentativa de salvar seus patrões, não conseguiram, reverter o rumo da crise. Dos bancos, ela partiu de malas prontas para a Indústria, atingindo a produção.

Durante as crises as classes e setores de classes são atingidos de forma diferente, os trabalhadores costumam pagar mais pelas crises. “No entanto, também são penalizados segmentos do capital, especialmente os pequenos e médios capitalistas, os primeiros (entre os membros da classe exploradora) onerados pela crise: as falências e quebras ocorrem basicamente entre eles” (Netto; Brás, 2006). Temos visto no desenvolvimento dessa crise, um fenômeno um tanto diferente, não que os trabalhadores não sigam pagando mais pela crise, mas pelos segmentos mais afetados por ela dentro da classe exploradora. Os primeiros a falirem forem grande bancos, agora vemos a GM, maior montadora de automóveis do mundo, falida, o preço das suas ações valem o mesmo que valia logo após a 2º Guerra Mundial, quando analisamos os números desse setor da produção, vemos que estamos diante da possibilidade de uma depressão. As quedas nas vendas no setor são grandes. “A GM teve queda de 45,1 em outubro, acompanhada da Chrysler (34,2%) e Ford (30,2%). Entre janeiro e outubro, a queda geral foi de 14,5%. O prejuízo da GM no terceiro trimestre foi de 2,5 bilhões de dólares e o da Ford foi ainda maior: 2,6 bilhões”. (Almeida).

Isso tudo acontece num momento em que o mundo experimentou um grande crescimento econômico, no qual países em desenvolvimento(assim denominados países como o Brasil) se aproveitaram desse momento de expansão, acontece que as “contradições explodem no ponto mais elevado da curva. A superprodução de capital está pronta para explodir em novo período de crise no seu ponto de exuberância máxima. Exatamente no ponto em que o gigantesco desenvolvimento das forças produtivas do trabalho acumulado no decorrer do ciclo se choca estrondosamente com as estreitas relações de produção capitalistas. E tudo cai, tudo começa a cair.”(Martins)


As bolsas continuam em queda livre, por mais que de vez em quando passe uma corrente de ar quente e as faça subir um pouco, levando com que a imprensa comemore como nunca, as bolsas logo depois de pequenas elevações continuam em queda. Todas as vezes que alguns dos governos imperialistas anunciam o salvamento de um grande banco(como o recentemente anunciado, pelo governo dos EUA, salvamento do Citicorp), as bolsas e os investidores reagem com euforia, pra não dizer histeria, dando a entender para os milhões e milhões de trabalhadores que a crise está passando, quando na verdade os sintomas de que está crise esteja acabando são praticamente inexistentes. “Essas ‘recuperações’ das bolsas são como saltos convulsivos de um corpo que se aproxima da paralisia final.” (Martins)

O desemprego já começa crescer, não só nos grandes países, mas também nos chamados países emergentes, deixando pra trás mais rápido do que nunca a tese de que essa era um crise dos países ricos.

A transferências dos lucros aos países ricos, e fundamentalmente para os EUA, crescem a cada dia, “socializando” assim a crise com o resto do mundo. Grandes montadoras demitem em massa como aconteceu com os 1200 operários na Espanha, com os 1000 operários da FIAT em Minas Gerais, 1200 da Vale e com o assombroso número de 10000 mil demissões de montadoras no Brasil. Sem falar que o famoso recurso à férias coletivas já deixam quase metade dos operários brasileiros em casa, fazendo com que o fantasma do desemprego assombre os trabalhadores cada vez mais. Mostrando que em crise cíclicas como a que estamos vendo, quem paga pela crise são os trabalhadores.

No meio da crise, surge como salvador, o primeiro presidente Negro da história dos EUA. Obama surge como grande salvador, um homem negro, descendente de pai Queniano, um dos países mais pobre e miserável do mundo. Porém, o que está posto, além das ilusões que gerou em grandes camadas de explorados no mundo e o pior das expectativas geradas em grandes setores da chamada esquerda, o que está posto é que Obama é apenas uma nova cara, um novo rosto, com aparência mais amigável, uma necessidade vital, para a continuidade do domínio imperialista estadunidense no mundo, afinal, todo o sentimento antiimperialista “conquistado” pelos EUA, durante a Era-Bush, começa a se esvair pelo ralo.

A política adotada por Obama, vai continuar sendo para que os custos da Crise, sejam pagos cada vez mais pelos trabalhadores, homens e mulheres, negros e negras, que em épocas de crescimento tem o produto de seu trabalho expropriado pelos seus patrões e que em épocas de crise são os primeiros a pagarem, o preço da superprodução capitalista e da destruição de forças produtivas paras que os capitalistas se salvem da crise.

O fato é que muito longe de ser apenas "uma marolinha", como disse o presidente Lula, o Brasil já começa a sofrer os efeitos da crise, e assim vemos a FIAT, a Vale, demitirem mais de mil operários nesta semana, assim como vemos quase 50% dos operários em casa em Férias Coletivas. Os EUA, não só vai dividir a crise com o resto do mundo, como já está fazendo isso

Assim sendo para reverter esse rumo somente a classe operária pode oferecer uma alternativa para humanidade, na esteira da crise é que as contradições do capitalismo podem ser vislumbrados a olhos nus, e a possibilidade da revolução se coloca à nossa frente. Que os ricos paguem pela crise!

Bibliografia

1. Almeida, Eduardo. A Quase falência da industria automobilística dos EUA. Jornal Opinião Socialista. Ano XII – Edição 362
2. Martins, José. Soberbo Crash Americano. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 949.
3. Martins, José. Obama: A realidade fala mais alto que o espetáculo. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 950
4. Martins, José. A Situação Da Indústria Mundial Se Agrava. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 951
5. Martins, José. Loucuras Capitalistas Nos Limites Da Grande Derrocada. Crítica Semanal da Economia. Ano XXII. nº 952
6. Netto, José Paulo; Brás, Marcelo. Economia Política – Uma Introdução Crítica. São Paulo: Cortez, 2006.


Fabiano Santos - Coordenador geral do CASS/UFAL, Coordenador de Assistência Estudantil do DCE/UFAL e militante do PSTU

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Zumbi Vive?

No sábado, dia 15 de novembro, Maceió foi brindada com mais um evento, que pelo título, deveria ser mais uma manifestação contra o racismo, próximo do dia da consciência negra, lembrava Zumbi, aquele mesmo dos Palmares, que na sua árdua e grande luta pela libertação, nos deixou um exemplo para ser vivido até os dias de hoje.

O Evento que entre outras atrações contou com a banda, considerada por muitos a melhor banda de Reggae da cidade, a Vibrações, arrastou multidões, o espaço lotou, e aí os problemas começaram a acontecer.

Um espaço que era pra celebrar um dos ícones da luta pela libertação dos negros e negras no nosso país, na verdade mostrou ainda mais, não só o descaso, mas todo o preconceito racial que ainda existe em Alagoas e no Brasil.

A agressão, por parte da segurança do evento, a uma mulher negra, pela simples desconfiança de que essa não tinha pago o ingresso (quando na verdade tinha pago), mostra não só o despreparo das equipes de segurança, que ao contrário de fazer o que se propõe (só pra lembrar: SEGURANÇA) traz mais insegurança e repressão às pessoas que se dispõem a ir em eventos como esse, na verdade revela muito mais.

O Estado!

Nunca é demais lembrar, as idéias dominantes de uma época são na verdade a idéias de sua classe dominante(Marx). Por que falar de classes e Estado num texto sobre um evento como o Zumbi Vive?!?

Vejamos, a nossa aventureira (a final querer entrar no Iate Clube Pajuçara naquele dia era realmente uma aventura) enfrenta uma fila enorme pra comprar o seu ingresso, dois passos depois que entrega o ingresso na portaria é agredida com um soco que deforma o seu lábio inferior, seguido de uma gravata (ou mata leão como queiram), e olha só, por coincidência, ela é negra?!? Infelizmente esta criatura que vos escreve não acredita em coincidências.

A “simpática” senhora que agrediu nossa aventureira deu a entender que era Policial, olha do que estamos falando, da Polícia, um dos principais instrumentos de repressão do Estado, Estado esse que reflete todas as idéias de sua classe dominante, e olha o tamanho do problema com que agora nos enfrentamos...

Uma policial, que não poderia estar fazendo um “bico” de segurança, e por tanto não estava atuando enquanto policial, acusa qualquer pessoa que dela discorda de desacato, mesmo sem as pessoas saberem que estavam diante de uma autoridade (afinal ela não estava fardada com deveria, estava fazendo “bico”) e se acha no direito de agredir as pessoas por isso.

A pergunta que fica é, se a nossa aventureira não fosse negra estaríamos tentando entender os fatos que aconteceram? Creio que não, ao contrário, tenho certeza absoluta que se nossa aventureira fosse branca, loira e aparentasse ter muito dinheiro isso não aconteceria, e isso mostra todo o despreparo com que a polícia (não custa repetir, aparato repressor do estado) trata os nossos negros e as nossas negras e isso não acontece à toa.

O despreparo está a serviço do que pensa o Estado e a sua classe dominante, esses fatos aconteceram por que na cabeça da polícia (e por tanto daqueles e daquelas que faziam “bico”) ali estavam reunidos, ou melhor dizendo amontoados, quase a totalidade dos maloqueiros, maconheiros e tudo que eles pensam que não vale a pena na sociedade; amontoado esse que nossa aventureira apenas ajudava a aumentar, então na dúvida se ela pagou ou não, dá-lhe porrada, nada de diálogo, nada de perguntar(pergunta aqui, no sentido de diálogo) primeiro, é a velha máxima da nossa maravilhosa polícia, é negro, então primeiro bate depois pergunta, e tudo fica por isso mesmo, por quê? Porque esses policiais são protegidos pelo Estado e a gente vai entrar numa roda viva aqui caso tente explicar todo o círculo vicioso.

Zumbi Vive?

A pergunta feita no título permanece. Zumbi vive, e vai viver sempre que alguém se incomodar com o racismo e tentar dar continuidade à sua luta, pela verdadeira liberdade dos negros e negras.

Cada vez que as pessoas se indignarem com cenas como esta Zumbi vai estar mais vivo do que nunca, mas quando ele servir apenas por interesse mercadológico... ele vai estar cada dia sepultado mais fundo na sua tumba.
Fabiano Santos
PS: esse é o primeiro texto corrigido do blog e esse trampo se deve a paciência da jovem Cacau, minha brodinha de faculdade, já que este que vos escreve não tem nenhuma paciência para talk tarefa.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

25 anos sem Ana Cristina Cesar

"olho muito tempo o corpo de um poema"

olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas


Um Beijo

que tivesse um blue.
Isto é imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço que mergulha
surdamente no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
um namorado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor


A Ponto de Partir

A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis.


O Homem Público N. 1 (Antologia)

Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.
Não há razão
para conservar
este fiapo de noite velha.
Que significa isso?
Há uma fita
que vai sendo cortada
deixando uma sombra
no papel.
Discursos detonam.
Não sou eu que estou ali
de roupa escura
sorrindo ou fingindo
ouvir.
No entanto
também escrevi coisas assim,
para pessoas que nem sei mais
quem são,
de uma doçura venenosa
de tão funda.



Sem título

é muito claro
amor
bateu
para ficar
nesta varanda descoberta
a anoitecer sobre a cidade
em construção
sobre a pequena constrição
no teu peito
angústia de felicidade
luzes de automóveis
riscando o tempo
canteiros de obras
em repouso
recuo súbito da trama.


Sem título

Quando entre nós só havia
uma carta certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem
sem pedras ou
sobressaltos
meu salto alto
em equilíbrio
o copo d’água
a espera do café.



Ana Cristina César: íncone da poesia "marginal", se é que na poesia marginal existem íncones.
 
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