Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Morte e Vida Socialista

O prato na mesa
a mesa na sala
a sala vazia
vazia e casta.
Olhando a parede
a parede que cala
cala o vídeo
a música de massa.

Morte, morte, morte...

O corpo na cama
a cama no quarto
o quarto vazio
vazio e infarto.
Olhando a cortina
a cortina que baila
baila no vento
o vácuo da casa.

Morte, morte, morte...

Morte e vida
vida é morte
trincheira libida
acaso e sorte.
No fundo do poço
a mesma retórica
o último esboço
favela bucólica.

Morte, morte, morte...

... e vida!?
Qual esquina perigosa devemos cruzar?
... me diz!!
e você me olha?
... me grita!!!

... vida vida vasta vida
se eu me chamasse socialista
seria uma rima não uma solução
vida vida vasta vida
mais vasta é a revolução!

Lee Flores, Poeta e Militante Alagoano

O analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço
do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel,
do sapato e do remédio
dependem de decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que
se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que, da sua ignorância nasce a prostituta,
o menor abandonado, o assaltante e o pior dos bandidos
que é o político vigarista, pilantra,
o corrupto e o lacaio dos exploradores do povo.

B. Brecht

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Feliz Novo Ano

Então, mais uma vez usamos esse espaço para nos dirigir, diretamente a vocês, leitores e leitoras, que passaram por aqui, ao longo desse ano, ano que podem ter certeza, foi vivido muito intensamente tanto por mim(que vos escrevo agora) quanto pela Dani.

E exatamente por isso mesmo que em vários momento, hora eu, hora a Dani, hora os dois não tivemos tempo para o Blogg, nesse sentido pedimos novamente desculpas a Novembro(o mês que foi Outubro), a imagem dessa postagem tb vai em homenagem à Revolução Russa, e esperamos que vocês continuem acessando o blogg, mesmo quando ele demorar a ser atualizado, rsrs.

Bom vivemos intensamente, vários momentos de Luta, de organização do povo e da classe trabalhadora, viviemos monetos de luta estudantis, vivemos louca nossa paixão pela vida, pela beleza da lua, do mar, das cachoeiras... vivemos pensando um no outro, e esquecendo um pouco tb, enfim vivemos...

Lutamos por que gostamos de viver...

Que em 2008, possamos curtir poesia, ler poemas, contos, crônicas, romances, textos teóricos e o que mais puder... Mas que também lutemos, lutemos para acabar a exploração do homem pelo homem... Muita água ainda vai passar, pelo moinho da Luta de classes, e sei que ano que vem é hora de seguir a reorganização da classe e marchar rumo a vitória!!!

Abraços!!!

Fabiano

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drumond de Andrade

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Nacos de Nuvem

No céu flutuavam trapos
de nuvem - quatro farrapos

do primeiro ao terceiro - gente
o quarto - um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.

Do seio azul do céu,
pé-ante-pé,
se desgarra um elefante.


um sexto salta - parece.
Susto: o grupo desaparece.

E em seu rastro
agora se cansa
o sol - amarela girafa.

Maiakovski

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

NOSSA MARCHA

Troa na praça o tumulto!
Altivos pincaros - testas!
Águas de um novo dilúvio
lavando os confins da terra.

Touro mouro dos meus dias.
Lenta carreta dos anos.
Deus? Adeus. Uma corrida.
Coação? Tambor rufando.

Que metal será mais santo?
Balas-vespas nos atingem?
Nosso arsenal é o canto.
Metal? São timbres que tinem.

Desdobra o lençol dos dias
cama verde, campo escampo.
Arco-iris arcoirisa
o corcel veloz do tempo.

O céu tem tédio de estrelas!
Sem ele, tecemos hinos.
Ursa-Maior, anda, ordena
para nós um céu de vovos.

Bebe e celebra! Desata
nas veias a primavera!
Coração, bate a combate!
O peito - bronze de guerra.

(Poemas - Vladímir Maiakóvski. Trad. Haroldo de Campos. Tempo Brasileiro, 1967, pp. 77-8)
do site da Apropuc: http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r11.htm
 
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