Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Nacos de Nuvem

No céu flutuavam trapos
de nuvem - quatro farrapos

do primeiro ao terceiro - gente
o quarto - um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.

Do seio azul do céu,
pé-ante-pé,
se desgarra um elefante.


um sexto salta - parece.
Susto: o grupo desaparece.

E em seu rastro
agora se cansa
o sol - amarela girafa.

Maiakovski

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

NOSSA MARCHA

Troa na praça o tumulto!
Altivos pincaros - testas!
Águas de um novo dilúvio
lavando os confins da terra.

Touro mouro dos meus dias.
Lenta carreta dos anos.
Deus? Adeus. Uma corrida.
Coação? Tambor rufando.

Que metal será mais santo?
Balas-vespas nos atingem?
Nosso arsenal é o canto.
Metal? São timbres que tinem.

Desdobra o lençol dos dias
cama verde, campo escampo.
Arco-iris arcoirisa
o corcel veloz do tempo.

O céu tem tédio de estrelas!
Sem ele, tecemos hinos.
Ursa-Maior, anda, ordena
para nós um céu de vovos.

Bebe e celebra! Desata
nas veias a primavera!
Coração, bate a combate!
O peito - bronze de guerra.

(Poemas - Vladímir Maiakóvski. Trad. Haroldo de Campos. Tempo Brasileiro, 1967, pp. 77-8)
do site da Apropuc: http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r11.htm

Desculpas a Novembro, o mês que foi Outubro...

Bom, a todos e todas, leitores e leitoras desse blogg, pedimos nossas mais sinceras desculpas, desculpas a todos e todas vocês, e as nossas mais sinceras desculpas a Novembro, om?ês que foi Outubro, naqueles dias revolucionários da Rússia, em 1917, quando o calendário Gregoriano,com13 dias a menos que o nosso calendário Juliano, não permitiu que a revolução entrasse pra história como a revolução do novembro.

Pedimos desculpas, por não terpostado nenhuma poesia neste mês, e por no aniversário de 90 anos da Revolução Russa, fomos tão displicentes... com o blogg, mas não com as lutas e muito menos com nossas vidas, foi exatamente a combinação das duas que não nos permitiram dar a atenção merida a esse pequeno, mas interessante espaço, e por estas razões, esparamos ser desculpados.

Para reparar o erro, entraremos dezembro, com reaprando uma outra falta não menos grave, com um poema do Maiakovski, tanto homenageando a revolução russa e o poeta quemelhor esxpressou aqueles dias, quanto a ele próprio.

Fabiano e Dani

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A fruta aberta

Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore plantada
bem alta no meio da minha vida.

Agora sei as coisa como são.
Sei porque a água escorre meiga
e porque acalanto é o seu ruído
na noite estrelada
que se deita no chão da nova casa.
Agora sei as coisas poderosas
que valem dentro de um homem.

Aprendi contigo, amada.
Aprendi com a tua beleza,
com a macia beleza de tuas mãos,
teus longos dedos de pétalas de prata,
a ternura oceânica do teu olhar,
verde de todas as cores
e sem nenhum horizonte;
com tua pele fresca e enluarada,
a tua infância permanente,
tua sabedoria fabulária
brilhando distraída no teu rosto.

Grandes coisas simples aprendi contigo,
com o teu parentesco com os mitos mais terrestres,
com as espigas douradas no vento,
com as chuvas de verão
e com as linhas da minha mão.
Contigo aprendi que o amor reparte
mas sobretudo acrescenta,
e a cada instante mais aprendo
com o teu jeito de andar pela cidade
como se caminhasses de mãos dadas com o ar,
com o teu gosto de erva molhada,
com a luz dos teus dentes,
tuas delicadezas secretas,
a alegria do teu amor maravilhado,
e com a tua voz radiosa
que sai da tua boca
inesperada como um arco-íris
partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
e mostrando a verdade
como uma fruta aberta.

(Sobrevoando a Cordilheira dos Andes, 1962)

Thiago de Mello
ps: a foto foi tirada por José Soares

domingo, 21 de outubro de 2007

Elogio do Revolucionário


Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.

Mas a coragem dele aumenta.

Organiza sua luta pelo salário, pelo pão

e pela conquista do poder.

Interroga a propriedade:

De onde vens?

Pergunta a cada idéia:

Serves a quem?

Ali onde todos calam, ele fala

E onde reina a opressão e se acusa o destino,

ele cita os nomes.

À mesa onde ele se sentase senta a insatisfação.

À comida sabe mal e a sala se torna estreita.

Aonde o vai a revolta

e de onde o expulsam

persiste a agitação.


Brecht

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Privatizado


"Privatizaram sua vida,
seu trabalho, sua hora de amar
e seu direito de pensar.
É da empresa privada
o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contente
querem privatizar o conhecimento,
a sabedoria, o pensamento,
que só à humanidade pertence."

Brecht
 
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