Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Desculpas a Novembro, o mês que foi Outubro...

Bom, a todos e todas, leitores e leitoras desse blogg, pedimos nossas mais sinceras desculpas, desculpas a todos e todas vocês, e as nossas mais sinceras desculpas a Novembro, om?ês que foi Outubro, naqueles dias revolucionários da Rússia, em 1917, quando o calendário Gregoriano,com13 dias a menos que o nosso calendário Juliano, não permitiu que a revolução entrasse pra história como a revolução do novembro.

Pedimos desculpas, por não terpostado nenhuma poesia neste mês, e por no aniversário de 90 anos da Revolução Russa, fomos tão displicentes... com o blogg, mas não com as lutas e muito menos com nossas vidas, foi exatamente a combinação das duas que não nos permitiram dar a atenção merida a esse pequeno, mas interessante espaço, e por estas razões, esparamos ser desculpados.

Para reparar o erro, entraremos dezembro, com reaprando uma outra falta não menos grave, com um poema do Maiakovski, tanto homenageando a revolução russa e o poeta quemelhor esxpressou aqueles dias, quanto a ele próprio.

Fabiano e Dani

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A fruta aberta

Agora sei quem sou.
Sou pouco, mas sei muito,
porque sei o poder imenso
que morava comigo,
mas adormecido como um peixe grande
no fundo escuro e silencioso do rio
e que hoje é como uma árvore plantada
bem alta no meio da minha vida.

Agora sei as coisa como são.
Sei porque a água escorre meiga
e porque acalanto é o seu ruído
na noite estrelada
que se deita no chão da nova casa.
Agora sei as coisas poderosas
que valem dentro de um homem.

Aprendi contigo, amada.
Aprendi com a tua beleza,
com a macia beleza de tuas mãos,
teus longos dedos de pétalas de prata,
a ternura oceânica do teu olhar,
verde de todas as cores
e sem nenhum horizonte;
com tua pele fresca e enluarada,
a tua infância permanente,
tua sabedoria fabulária
brilhando distraída no teu rosto.

Grandes coisas simples aprendi contigo,
com o teu parentesco com os mitos mais terrestres,
com as espigas douradas no vento,
com as chuvas de verão
e com as linhas da minha mão.
Contigo aprendi que o amor reparte
mas sobretudo acrescenta,
e a cada instante mais aprendo
com o teu jeito de andar pela cidade
como se caminhasses de mãos dadas com o ar,
com o teu gosto de erva molhada,
com a luz dos teus dentes,
tuas delicadezas secretas,
a alegria do teu amor maravilhado,
e com a tua voz radiosa
que sai da tua boca
inesperada como um arco-íris
partindo ao meio e unindo os extremos da vida,
e mostrando a verdade
como uma fruta aberta.

(Sobrevoando a Cordilheira dos Andes, 1962)

Thiago de Mello
ps: a foto foi tirada por José Soares

domingo, 21 de outubro de 2007

Elogio do Revolucionário


Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.

Mas a coragem dele aumenta.

Organiza sua luta pelo salário, pelo pão

e pela conquista do poder.

Interroga a propriedade:

De onde vens?

Pergunta a cada idéia:

Serves a quem?

Ali onde todos calam, ele fala

E onde reina a opressão e se acusa o destino,

ele cita os nomes.

À mesa onde ele se sentase senta a insatisfação.

À comida sabe mal e a sala se torna estreita.

Aonde o vai a revolta

e de onde o expulsam

persiste a agitação.


Brecht

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Privatizado


"Privatizaram sua vida,
seu trabalho, sua hora de amar
e seu direito de pensar.
É da empresa privada
o seu passo em frente,
seu pão e seu salário.
E agora não contente
querem privatizar o conhecimento,
a sabedoria, o pensamento,
que só à humanidade pertence."

Brecht

Para os que Virão



Como sei pouco e sou pouco,
Faço o pouco que me cabe
Me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
O homem que eu quero ser.
Já sofri o suficiente
Para não enganar a ninguém:
Principalmente aos que sofrem
Na própria vida, a garra.
Da opressão, e nem sabem.
Não, não tenho o sol escondido no meu.
Bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
Para quem já a primeira
E desolada pessoa
Do singular – foi deixando,
Devagar, sofridamente
De ser, para tranformar-se-
Muito mais sofridamente-
Na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo
De avançar de mãos dadas
Com quem vai no mesmo rumo,
Mesmo que longe ainda esteja
De aprender a conjugar
O verbo amar.
É tempo sobretudo
De deixar de ser apenas
A solitária vanguarda
De nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(dura no peito, arde a límpida verdade de nossos erros)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
E saber serão, lutando.

Thiago de Mello, 1978

Alma humana




A alma humana é um manicômio de caricaturas.
Se uma alma pudesse revelar-se com verdade
E nem houvesse um pudor
mais profundo que todas
as vergonhas conhecidas, definidas
Seria, como dizem, da verdade o poço.
Mas um poço sinistro, cheio de ecos vagos,
habitado por vidas ignóbeis,
viscosidades sem vida, lesmas sem ser.
Ranho da subjetividade.
Eis a alma.

Fernando Pessoa
 
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