Pérola

"Nós entendemos que Israel tem o direito de se defender pois nesses últimos anos o Hamas lançou diversos foguetes na região"
Barack Obama

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Para os que Virão



Como sei pouco e sou pouco,
Faço o pouco que me cabe
Me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
O homem que eu quero ser.
Já sofri o suficiente
Para não enganar a ninguém:
Principalmente aos que sofrem
Na própria vida, a garra.
Da opressão, e nem sabem.
Não, não tenho o sol escondido no meu.
Bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
Para quem já a primeira
E desolada pessoa
Do singular – foi deixando,
Devagar, sofridamente
De ser, para tranformar-se-
Muito mais sofridamente-
Na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo
De avançar de mãos dadas
Com quem vai no mesmo rumo,
Mesmo que longe ainda esteja
De aprender a conjugar
O verbo amar.
É tempo sobretudo
De deixar de ser apenas
A solitária vanguarda
De nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(dura no peito, arde a límpida verdade de nossos erros)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
E saber serão, lutando.

Thiago de Mello, 1978

Alma humana




A alma humana é um manicômio de caricaturas.
Se uma alma pudesse revelar-se com verdade
E nem houvesse um pudor
mais profundo que todas
as vergonhas conhecidas, definidas
Seria, como dizem, da verdade o poço.
Mas um poço sinistro, cheio de ecos vagos,
habitado por vidas ignóbeis,
viscosidades sem vida, lesmas sem ser.
Ranho da subjetividade.
Eis a alma.

Fernando Pessoa

Palhaço


Quando eu era jovem, eu pensava que com a arte seria possível mudar o mundo.

Eu buscava constantemente um espetáculo que pudesse despertar no coração do público uma esperança.

Eu queria mostrar uma maneira diferente de viver, com mais amizade, criatividade, sem a obrigação de perseguir o dinheiro e o poder.

Ilusão fútil que eu nunca consegui alcançar.

Não só a revolução não chegou, como as pessoas se tornaram cada vez mais loucas e materialistas.

Quando eu me dei conta disto eu vivi momentos difíceis pensando, pensando inclusive que minha vida era um fracasso e que todo esforço era inútil.

Mas um dia eu tive uma revelação: se não se pode mudar o mundo, pelo menos é possível mudar a si mesmo, encontrar algo em seu coração, um desejo, uma necessidade e entregar-se totalmente a ele, sem olhar para trás.

Isso não é para a sociedade ou para os outros, não, é para você mesmo. E eu fazendo esse palhaço que eu sou, eu encontrei essa coisa.

Provocar, burlar e fazer o público rir.

Isso era tudo o que eu buscava em minha vida.

Por certo eu não mudava o mundo, mas os palhaços nunca mudaram o mundo, passam o tempo tentando sem nunca conseguir, por isso são palhaços.

Os palhaços gostam do fracasso e das ações ineficazes, são perdedores alegres e isto é a verdadeira força que têm, nunca se cansam de perder.

Desfrutam de cada fracasso e voltam em seguida a fracassar de novo, diluindo assim as certezas das pessoas sérias e que nunca duvidam.

Então, esse sangue que pareço ter na minha cabeça, esse sangue que tenho sobre a minha camisa, esse sangue que tenho no meu coração, esse sangue que está todo em mim é tão patético e inútil em seu simbolismo porque é sangue de um palhaço.

Um sangue que não vem de uma grande luta ou em nome de uma causa heróica.

É sangue de brincadeira, ao mesmo tempo verdadeiro e pouco importante.


Autor desconhecido

domingo, 30 de setembro de 2007

Ocupações João de Barro para além dos despejos


Na madrugada do dia 07 de setembro deste ano, 50 famílias, em sua maioria vindas da ocupação João de Barro I, no bairro Serra, em Belo Horizonte ocuparam o edifício do antigo Hospital Cardiocentro, na Avenida Antonio Carlos. A ocupação escolheu o dia 7 de setembro, dia oficial da nossa independência, para dizer aos belorizontinos e a todos os brasileiros que, de fato, nossa independência ainda não aconteceu. A primeira ocupação João de Barro aconteceu no dia 28 de abril deste ano, no bairro Serra. As famílias que ocuparam o prédio abandonado são em sua maioria provenientes dos núcleos de moradia de BH. Fizeram a ocupação como forma de protesto e luta pelo direito à casa própria. A prefeitura de BH criou uma fila para as famílias de baixa renda que atinge em torno de 13.000 famílias inscritas e promete construir 300 casas ano, ou seja, se a fila não aumentar serão 40 anos de espera para que se acabe com a mesma. Para acabar com o déficit habitacional da cidade, que segundo dados oficias é de 55.000 famílias, mas o movimento acredita ser muito mais, será aproximadamente 100 anos. Algumas pessoas estão a dez anos esperando o benefício, enquanto isto moram de favor, em barracos de madeirite, em áreas de risco ou pagam aluguéis que em muito oneram a renda familiar, comprometendo a alimentação, o estudo, a saúde, o lazer da família. Diante desse quadro, os movimentos se organizaram para cobrar da prefeitura de BH uma política habitacional que realmente atenda às famílias de baixa renda e atenda com urgência, pois não se pode esperar 100 anos para se ter a casa própria. Por isso, foi realizada a ocupação Caracol e a primeira ocupação João de Barro. Queríamos mostrar, com estes atos, que existem em BH muitas famílias que precisam de moradia e existem formas de resolver este problema, pois são mais de 70.000 mil imóveis vazios que não cumprem sua função social, sendo passíveis de desapropriação para serem destinados à moradia popular. Portanto, foi para isto que existe no Estatuto das Cidades, o instrumento de lei chamado Iptu Progressivo, que pode ser aplicado em casos como o do prédio do bairro Serra que há 11 anos não paga IPTU. No entanto, não conseguimos nem abrir o diálogo com a prefeitura, que diz não ser problema a ser resolvido pelos órgãos públicos. Enquanto isso o judiciário se movimentava para retirar as famílias da João de Barro e no dia 30 de agosto foi julgada nossa retirada do prédio, desde então a qualquer momento a polícia militar poderá efetuar o despejo. Por este motivo, as famílias da ocupação João de Barro resolveram se dividir e se somar a outras famílias e no dia 7 de setembro realizaram outra ocupação, para mostrar a todos que nossa independência realmente, ainda não existe; para mostrar que o judiciário preferiu julgar a favor do escritório de advocacia Viviane Amaral, que vive de especulação imobiliária; a favor do jornal Estado de Minas que também é proprietário do imóvel, e que é, como todos sabem, controlado pelo governador Aécio Neves, e a favor de tantas outras empresas proprietárias desse imóvel, jogando na rua 100 famílias que precisam de moradia. Ocuparam, acima de tudo, para mostrar que os órgãos públicos se omitem diante de um problema social, que cabe a eles resolverem, porque como reza na nossa constituição federal, moradia é direito de todos e dever, obrigação do Estado. A nova ocupação recebeu o nome de João de Barro II, porque, “João de Barro” não é um prédio, é um movimento em luta pela efetivação de um direito. Podem nos retirar de quantos prédios e terrenos abandonados, para que voltem a ser locais insalubres, focos de doenças e criminalidade e para que voltem às mãos dos especuladores imobiliários, que nós continuaremos existindo na cidade. Enquanto houver pessoas dispostas a ir a luta pela efetivação de seus direitos existirá a João de Barro, que como o pássaro, constrói sua casa com carinho e dedicação. Assim são as ocupações, uma forma de buscar a casa própria com carinho, dedicação, enfrentando todas as intempéries para que, enfim, possamos ter um local para vivermos com dignidade, para que possamos ter um país livre, e de fato soberano, no qual os interresses de seu povo, os interesses da maioria sejam o guia de nossa pátria.

07 de setembro de 2007

Brigadas Populares

Fórum de Moradia do Barreiro

PANTERA




De tanto olhar as grades seu olhar

esmoreceu e nada mais aferra.

Como se houvesse só grades na terra:

grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto

em círculos concêntricos decresce,

dança de força em torno a um ponto oculto

no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila

se abre em silêncio. Uma imagem, então,

na tensa paz dos músculos se instila

para morrer no coração.


Rainer Maria Rilke

(Trad. Augusto de Campos)

Aprenizado


Depois de algum tempo a gente aprende os verdadeiros valores da vida, eu demorei 21 anos para descobrir os meus, ainda não sei se eles me acompanharão em toda minha jornada, pois estamos sempre em mutação, mas nos últimos 15 dias pude perceber que a sabedoria não está nos livros e sim na terra e na convivência com outras pessoas, a vida é uma troca e o nosso papel é oferecer o que tem de mais puro em nossa alma, sei que não é um caminho fácil, é uma construção feita através de erros, o importante é adimitir que errou e tentar melhorar a cada dia.Quero sentir o próximo que se encontra a meu lado, pode ser dentro do metro, a caminho da faculdade, ás vezes não é preciso nem palavras, apenas gestos que consigam demosntrar quanto amor você tem para dar e o mais impressionante é ver que esse amor que está doando na verdade é alimento para seu corpo e alma, na hora que você recebe o sorriso de uma criança, que você recebe o abraço de um idoso ou quando recebe o conselho de alguém que te quer bem.
Danielle Vassalo
 
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